Em meio ao caos dos primeiros meses da pandemia de Covid-19, quando não sabíamos nada sobre o vírus, estreava no Youtube uma versão on-line do musical “Brenda Lee e o Palácio das Princesas”.

Coincidência ou não, o musical é uma homenagem a Brenda Lee, uma mulher trans, à frente de seu tempo, que movida pelo amor acolheu diversas pessoas (LGBTQIA+ ou não) em seu sobrado no bairro do Bixiga, São Paulo, e se tornou o rosto da luta pelos direitos da comunidade LGBTQIA+ em meio à pandemia de HIV/AIDS, no início do anos 1980.

Logo após as medidas sanitárias serem flexibilizadas, o elenco do musical finalmente pode se reunir e realizar uma temporada presencial, que fica em cartaz de 9 de junho a 3 de julho de 2022.

O espetáculo conta com grandes nomes do teatro musical na ficha técnica: o trabalho tem dramaturgia e letras de Fernanda Maia, direção e figurinos de Zé Henrique de Paula e música original e direção musical de Rafa Miranda.

“Na rua não tem paz pra mim ou pra mana. A polícia, o cliente, o tráfico, o ocó. Eu vivo numa selva urbana, insana É a cidade inteira que quer me matar! Você não duraria nem ao menos 10 minutos, se estivesse em minha pele pelas ruas da cidade. Você não duraria…”  —  Trecho do Musical Brenda Lee e o Palácio das Princesas.

No elenco do musical estão em cena seis atrizes transvestigêneres (Verónica Valenttino, Olivia Lopes, Marina Mathey, Tyller Antunes, Ambrosia e Leona Jhovs) e um ator cisgênero (Fabio Redkowicz).

Juntes interpretam e contam sobre a luta das travestis nas ruas de São Paulo, a escassez de oportunidades que as impele à prostituição e sobre como foram apoiadas por Brenda, que acolheu em sua casa as doentes de Aids numa época em que quase nada ainda se sabia sobre a doença.

A orquestra é formada por Rafa Miranda (piano), Julia Passa (contrabaixo), Rafael Lourenço (bateria) e Carlos Augusto (guitarra e violão). O espetáculo conta, ainda, com preparação de atores de Inês Aranha e coreografia de Gabriel Malo.

A criação deste musical é uma continuidade das pesquisas do Núcleo Experimental sobre as possibilidades de interação entre música e teatro, consolida a trajetória do grupo como criador de musicais originais brasileiros e comemora os 10 anos da sua sede no bairro da Barra Funda.

Sinopse

O musical Brenda Lee e o Palácio das Princesas traz um pouco da história de Brenda Lee, chamada de o “anjo da guarda das travestis”, ativista que fundou a primeira casa de apoio para pessoas com HIV/Aids, do Brasil.

Ela tem uma pensão para travestis que, em sua maioria, vivem da prostituição. Apesar da realidade de violência em que vivem, dentro da casa as travestis são acolhidas por Brenda, que lhes ensina a querer mais da vida.

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