Por: Raul Nunes

Releituras musicais são muito mais do que homenagens ou tentativas de repaginar grandes sucessos, é a forma de manter vivo o legado de grandes artistas. E para celebrar a obra de Johnny Alf, um dos pais da Bossa Nova, Thiago Pach reúne grandes nomes para homenagear o cantor preto e gay.

O cantor, compositor e pianista Johnny Alf (1929 – 2010), cresceu no bairro de Vila Isabel, órfão de pai, e filho de uma empregada doméstica e teve o apoio da patroa de sua mãe para estudar piano clássico.

Após o início na música erudita se interessou pela música popular e nas trilhas sonoras do cinema norte-americano e por compositores como George Gershwin e Cole Porter.

Foi nos anos 50 que o artista desbravou harmonias modernas que culminariam na Bossa Nova, misturando samba e jazz foi que ele se tornou pioneiro e revolucionou a música brasileira.

Um dos seus maiores sucessos “Rapaz de Bem” de 1952 é um marco inicial da modernidade musical da década de 50 e é considerado por muitos historiadores como iniciador da Bossa Nova por suas soluções melódicas e harmonias revolucionárias.

Nomes da época como Tom Jobim, Vinícius de Moraes, João Gilberto e outros frequentavam seus shows e eram influenciados por seu trabalho.

O cantor que quase nunca esteve sob os holofotes, dono de uma timidez, aliada a uma elegância providencialmente discreta que ajudava a esconder a sua homossexualidade, fez de Johnny uma das figuras mais enigmáticas da música brasileira.

Em suas letras encontramos facilmente elementos claros desse lado de sua personalidade, as suas músicas relatam entre as harmonias amores impossíveis, escondidos e proibidos.

A homofobia e o preconceito fizeram com que um dos maiores artistas desse país não fosse reconhecido como deveria, e como honrar hoje a sua colaboração na arte?

Embora seja tarde para fazer jus em vida, legado desse artista precisa ser lembrado e valorizado e é essa a proposta do artista carioca.

Thiago Pach iniciou sua carreira no teatro onde atuou, escreveu e dirigiu. Integrou produções comandadas por Bibi Ferreira e Fábio Pilar, Gustavo Gasparani, Angel Viana e outros grandes nomes do teatro brasileiro. No teatro musical viveu personagens como Nelson Gonçalves, Silvio Caldas (Rádio Nacional – As Ondas Que Conquistaram o Brasil) e Cauby Peixoto (Emilinha e Marlene – As Rainhas do Rádio).

Atualmente com dois EP’s disponíveis nas plataformas de streaming, Pach representa a renovação da MPB e do POP.

Seu primeiro EP, “Canto de Aruanda”, lançado em 2018, traz uma mistura de miscigenação de timbres, ideias e referencias e conta com a participação da lenda do jazz Áurea Martins. O segundo “É Preciso Olhar o Mundo”, lançado esse ano, nasce de arranjos delicados e vibrantes numa sonoridade pop que uns índie, regional, R&B, rap, jazz e funk.

Com um timbre único que remete a linhagem especial de cantores Thiago dialoga com o contemporâneo e o tradicional com grande facilidade e encanta quem o ouve.

O projeto “Thiago Pach canta Johnny Alf” reúne um time de peso para manter vivo o legado de um dos maiores artistas que esse país já teve. Aurea Martins, Maria Alcina, Rodrigo França e Rico Dalasam se unem a Pach para honrar a contribuição de Alf para a arte e para além disso pela necessidade de representatividade para tantos jovens negros e LGBTQIA+.

O projeto reverencia um dos pais da Bossa Nova e apresenta a sua obra para toda uma nova geração que possivelmente não o conhece, pois não foi reconhecido no seu tempo por causa do preconceito e da homofobia.

O disco que contém dez faixas passeia por um repertório de canções compostas e interpretadas por Johnny Alf.  A homenagem será viabilizada por meio de uma campanha de investimento coletivo que já está no ar.

Colabore: https://catarse.me/johnnyalf

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