
Depois de mais de uma década como parte do fenômeno Little Mix, Jade lança That’s Showbiz Baby! (12 de setembro de 2025), seu disco solo que reafirma sua voz própria.
O álbum chega como uma declaração clara: a artista quer quebrar padrões, escolher seus temas e experimentar estéticas, passando do electroclash ao pop dançante, sem perder autenticidade.
Com produção de nomes como Jonah Christian, Cirkut e Lostboy, entre outros, o álbum combina momentos íntimos com explosões sonoras.
Entre baladas poderosas, refrões para pista, faixas que expõem os bastidores da fama e outras que celebram sua liberdade recém-conquistada, somos apresentados a uma Jade que sussurra, grita e se mostra complexa, mas também multifacetada.
Exatamente o tipo de estreia solo que o público espera quando alguém sai de uma girl group para ser sua própria protagonista.

Imagem: Divulgação Sony Music Edição: Agência CSP
Um som em ponta de faca: identidade em contraste
Entre baladas emotivas, quebras de expectativas sonoras dentro de uma mesma faixa e produções grandiosas que evocam as divas pop dos anos 2000 para trás, com globos de espelhos e seus sons dominando as pistas.
Faixas como Angel of My Dreams e It Girl abraçam o drama pop e a teatralidade com versos sobre fama, insegurança e pressão.
Enquanto FUFN (Fuck You for Now) e Fantasy mergulham em ritmos dançantes com influências da disco music de Diana Ross e Donna Summer, além da estética clubber. Evocando nostalgia, mas com energia contemporânea.
Jade acaba por brincar com o espetáculo da fama, entre arranjos que contrastam com sua voz, técnicas de falsetes e sintetizadores vibrantes, ao mesmo tempo em que admite em suas composições, dúvidas, ciclos emocionais e temas familiares.

Imagem: Divulgação Sony Music Edição: Agência CSP
Em algumas músicas, como em Unconditional, temos um exemplo perfeito dessas transições bruscas, onde fica visível a vontade de explorar e ir além do confortável.
A faixa é uma homenagem à mãe de Jade, que tem lúpus e estava com crises durante diversos períodos em que Jade trabalhava na produção do álbum.
“Eu pensei: como posso escrever uma música tão triste que todos nós vamos querer balançar os peitos?”, disse Jade ao Jornal The Guardian.
Entretanto, são nesses momentos que sua personalidade mais brilha, e onde também o álbum mais se aventura e a nova Jade mais se mostra.
Às vezes, algumas faixas podem soar com “falhas” de transição, mas ao longo do álbum se tornam parte do projeto: cortes bruscos podem soar como o caos escolhido, uma textura proposital.
É a tal liberdade com uma pitada de desordem pop que Charli XCX abraçou em Brat e Lorde em Virgin.

A construção da autonomia como narrativa
No centro do álbum está a busca por autonomia e expressão. É curioso perceber uma artista pop estreando com temas sobre desgaste da imagem, pressão estética e traumas da superexposição.
São assuntos que geralmente aparecem em álbuns de divas já veteranas, como Taylor Swift em The Life of a Showgirl ou Britney Spears em Piece of Me. Talvez pese aqui a experiência de anos à frente do Little Mix.
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Ainda assim, Jade fala de amores complicados, solidão da fama e as expectativas que surgem tanto dos fãs, quanto da indústria e dela mesma, na busca por encontrar seu espaço fora de uma banda.
Interpolando faixas antigas, samples e referências como Puppet On A String e Stop! In The Name Of Love, ela cria conexões entre sua infância nos shows de talentos, a carreira no grupo e sua versão solo.
Jade parece se desaprender de fórmulas e expectativas impostas ao pop, e acerta ao apostar na ousadia para reconstruir uma estética pessoal.
Ainda que de certa forma a sonoridade do disco lembre a girlband nos vocais, nos visuais e nas escolhas de produção, ainda consegue soar e parecer diferente.
E visualmente, ela reforça essa proposta com clipes e estética maximalista, tudo pensado para mostrar várias versões de si mesma: a vulnerável, a forte, a performática.
Existe uma grande coragem em assumir as imperfeições, em aceitar que nem tudo funciona perfeitamente, mas ao expor esse tremor entre controle e o caos, é que encontramos uma verdade em “That’s Showbiz Baby!“.
E assim, o álbum fica mais interessante do que muitos debuts que tentam soar seguros demais.

Imagem: Divulgação Sony Music Edição: Agência CSP
Um álbum que representa no pop atual
Em uma época em que o pop se torna cada vez mais híbrido e os estilos se misturam, as referências se sobrepõem, e identidades artísticas acabam perdendo da autenticidade.
Jade parece retornar ao cenário pop, não para seguir tendências, mas para reconfigurá-las a partir de si mesma.
Em contraste com a música “formatada”, ela propõe um pop que se destaca pela autenticidade, teatralidade, usando às luzes e privilégios da fama, mas também suas sombras, rupturas e a poesia imperfeita da vida.
O álbum nem de longe parece com uma “farofa do pop”. Entretanto, consegue se comunicar com públicos diversos e que esperam mais de artistas vindos de grupos.
Não apenas performance ou hits, mas alma, histórias pessoais, falhas e o processo humano por trás do processo criativo.
EmThat’s Showbiz Baby! , Jade entrega tudo isso e ainda prova que há espaço comercial e crítico para quem decide “ser verdadeiro” em um pop que, muitas vezes, prefere a simetria ao risco.
That’s Showbiz Baby! não é apenas o primeiro passo solo de Jade; é uma afirmação de liberdade emocional e estética.
É o disco de uma artista que aprendeu a valorizar suas falhas tanto quanto suas glórias, que canta para dançar, mas também para sentir.
E, acima de tudo, que reconstrói sua identidade em um palco maior, onde o controle criativo finalmente é dela.
E você? Quais faixas do álbum mais te atingiram — pela letra, produção ou pelas mudanças de clima?
Você acha que Jade acertou ao se afastar das expectativas pós-Little Mix para seguir sua própria voz?
Conta pra gente nos comentários e compartilhe se alguma música te surpreendeu.
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