Novas apresentações do espetáculo “Inventário das coisas esquecidas“. Inspirado no livro Os Sertões, de Euclides da Cunha, propõe uma curadoria de memórias para falar da Guerra de Canudos.

Mais de 120 anos após a publicação de “Os Sertões” e de uma extensa fortuna crítica sobre o livro, uma série de documentos busca disputar os significados da “Guerra de Canudos“, posicionando o evento na centralidade da constituição de nossa atual república.

“Inventário Das Coisas Esquecidas” Fotos: Camilo Goes

Inspirados no trânsito entre literatura, história e ciência proposto pelo exercício euclidiano, o Coletivo Tresbeira caminha por uma curadoria de imagens e memórias, próprias do que foi Canudos, na tentativa de reconstruir um espaço saturado de artefatos que retiram esse ‘museu’ do esquecimento.

Mais do que uma encenação das passagens do enredo do livro “Os Sertões”, no entanto, o grupo se empenha em uma reescrita que compreenda os modos operativos e formais da obra, buscando um comentário, via cena, de aberturas e abordagens possíveis deste evento que marca nossos processos históricos enquanto nação.

Ainda, o projeto do Coletivo não se prende apenas neste extenso monumento literário, como adentra em parte de sua crítica.

OS SERTÕES E OUTRAS REFERÊNCIAS NO PROCESSO DE CRIAÇÃO

Os Sertões é uma importante materialidade na disputa do significado de Canudos que pensadores, políticos e artistas remodelaram através das décadas que separam sua publicação dos dias atuais.

A fonte inesgotável do ensaio euclidiano é desenvolvida em uma extensa fortuna crítica que amplia e matiza as questões tangenciadas pelo livro e aponta, ainda, uma interlocução com demais literaturas sobre guerras e suas representações. 

É nesse sentido que o Coletivo ampara a pesquisa do seu trabalho em uma bibliografia que contribui não só a sensibilização e embasamento teórico sobre as temáticas, mas incide na própria dramaturgia processual do espetáculo.

Na esteira do exercício de edição e colagem operado na criação, diferentes fragmentos são combinados com a encenação e com relatos dos artistas envolvidos.

São citados: “A Guerra não tem rosto de Mulher” de Svetlana Alexiévich, “Eu vejo teus erros. Seguindo as pegadas de Dilermando de Assis num exemplar único de Os Sertões de Euclides da Cunha” de Cristiane Henriques Costa e “No calor da hora: a Guerra de Canudos nos jornais” de Walnice Nogueira Galvão.

Sinopse:

O que cabe de uma guerra num espaço tão curto? Mais de 120 anos após a publicação de Os Sertões e de uma extensa fortuna crítica sobre o livro, uma série de documentos busca disputar os significados da Guerra de Canudos, posicionando o evento na centralidade da constituição de nossa atual república.

Inspirados no trânsito entre literatura, história e ciência proposto pelo exercício euclidiano, o Coletivo Tresbeira caminha por uma curadoria de imagens e memórias, próprias do que foi Canudos, na tentativa de reconstruir um espaço saturado de artefatos que retiram esse ‘museu’ do esquecimento.

Serviço

Inventário Das Coisas Esquecidas
📍 Dias 8, 9 e 10 de novembro às 20h, na Oficina Cultural Oswald de Andrade.
📍 Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro.
📍 12 e 13 de novembro às 20h, na Funarte
📍 Alameda Nothmann, 1058 – Campos Elíseos.

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