O surgimento do Instituto Brasileiro De Teatro (IBT), é fruto da ânsia de seus fundadores em gerar resultados frente à inquietude com as questões da popularização das artes cênicas no Brasil e da valorização dos artistas que produzem teatro em nosso país.

Sentindo que há uma desconexão entre o teatro, seus viabilizadores e o público, o instituto vem com o foco em ter uma relação mais ampla e organizada com todas as áreas que trazem a existência: da ideia original com o criador até a preparação para receber nos teatros o público final.

Composta pelos artistas Guto Portugal, Elisa Volpatto, Oliver Tibeau, Samya Pascotto e José Aragão, a organização sem fins lucrativos apresenta sua primeira produção “Diabinho e outras peças curtas de Caryl Churchill”, no Teatro do MASP e com ingressos a 1kg de alimento não perecível.

“Forças que já têm tudo a ver, mas não sabem muito bem como começar essa conversa”, comentam.

Foto: Divulgação/IBT

Algumas das bases dos projetos do Instituto Brasileiro de Teatro são:

  • Os espetáculos produzidos pelo IBT são acessíveis – preços populares ou fila democrática onde cada um paga o que pode e quem tem condições também pode pagar por quem não tem. No caso de Diabinho e outras peças curtas, 100% dos ingressos serão distribuídos com 1 hora de antecedência e é solicitada a doação de 1kg de alimento não perecível por pessoa, destinado à ONG Banco de Alimentos.
  • Toda a equipe do espetáculo é remunerada com dignidade e respeito ao ofício.
  • Conectar as empresas com espetáculos marcantes, posicionadas como verdadeiras viabilizadoras de uma experiência pública, acessível e de qualidade, fomentando uma relação saudável entre marca e consumidor.

A peça em cena

Diabinho e outras peças curtas da dramaturga britânica Caryl Churchill, uma das maiores do teatro inglês, que vem radicalizando na forma e conteúdo desde a sua estreia nos anos 70, foi o espetáculo escolhido para a estreia do Instituto Brasileiro de Teatro.

São quatro peças curtas – Vidro, Matar, Barba Azul e Diabinho – de humor ácido. A primeira montagem da peça estreou em 2019 no Royal Court Theatre, em Londres, e esta é a primeira tradução e montagem desses textos no Brasil.

A temporada começou no dia 15 de abril de 2022 e segue em cartaz até o dia 05 de junho de 2022, no Teatro do MASP. A direção geral é de Guto Portugal, a tradução de Zé Roberto Valente.

No elenco estão os artistas: Noemi Marinho, Norival Rizzo, Elisa Volpatto, Johnnas Oliva, Mayara Constantino e Rafael Pimenta.

O designer Wagner Antônio (cenário e luz), Flora Belotti e Rogério Romualdo (figurino) e Edson Secco (composição original de trilha sonora) completam a ficha técnica.

Caryl Churchill, que completa 84 anos em 2022, disse que dramaturgos não devem dar respostas, mas sim fazer perguntas. E é isso que impressiona o diretor Guto Portugal em seus textos.

Foto: Divulgação/IBT

A genialidade da escrita de Caryl faz com que seja possível as pessoas reflitam sobre algo que elas mesmas fazem através do riso, do questionamento e do estranhamento.

“A capacidade de levantar questões profundas de forma irreverente, sem nunca ir para o óbvio – convidando o público a completar a narrativa junto com ela. Por meio de uma escrita ágil, surreal e provocadora, ela nos transporta para um universo próprio, que nos indaga novas perguntas para velhas questões humanas”, comenta o diretor Guto Portugal.

Com quatro peças à primeira vista, podendo até parecer simples, colocam o público de frente com suas próprias experiências e chega ao ponto onde a dramaturga Caryl aborda a banalidade do mal, tema que nunca pareceu tão atual no nosso cenário político brasileiro e mundial.

Provocações para uma reflexão pessoal sobre nossas crenças, desejos, o que somos ou não diante do que queremos ser. O que acreditamos? Por que acreditamos? Provavelmente todos nós já estivemos questionando algo igual ou similar a isso.

Foto: Divulgação/IBT

Sinopse

Das quatro peças curtas da dramaturga britânica Caryl Churchill, “Vidro”, a primeira, é a história de uma menina feita de vidro que se depara com a questão da fragilidade imposta pela sociedade.

Em “Matar“, os deuses discorrem com ironia sobre os mitos gregos, questionando sobre sua responsabilidade nos atos históricos de violência praticados pelos seres humanos.

Em “Barba Azul“, um grupo de amigos se reúne para beber, numa conversa divertida sobre seu amigo de longa data, recentemente condenado pelo assassinato de suas esposas.

Diabinho”, a última das histórias, brinca com a questão da crença ao apresentar personagens que estão o tempo todo afirmando e também duvidando da existência de algo que vai além da sua compreensão – como a presença de um diabinho dentro de uma garrafa.

SERVIÇO

“Diabinho e outras peças curtas de Caryl Churchill”
Direção: Guto Portugal
Teatro do Masp
De 15 de abril à 05 de junho de 2022
Sextas-feiras e sábados, às 20h30
e domingos, às 19h
Classificação: 14 Anos
Ingressos: 1kg de alimento não perecível.

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