
Bee Königswasser tem um mantra: “o que Marie Curie faria?”. A pergunta a acompanha desde o doutorado e volta com força quando ela consegue o emprego dos sonhos, liderar um projeto de neuroengenharia da NASA. O problema é o colíder: Levi Ward, engenheiro, colega dos tempos de pós-graduação e, até onde Bee sabe, alguém que sempre a detestou.
A Razão do Amor (Love on the Brain) é o segundo romance de Ali Hazelwood e o primeiro teste da fórmula depois do sucesso de A Hipótese do Amor. A resenha abaixo não tem spoilers.
Sinopse sem spoilers
Bee é neurocientista, excêntrica, apaixonada por Marie Curie e acostumada a ser subestimada. Quando chega à NASA para comandar um projeto que une neurociência e engenharia, descobre que a equipe foi montada para dificultar a vida dela: equipamentos que não chegam, dados que somem, colegas que a ignoram. Levi, o parceiro de liderança, parece ser mais um obstáculo.
Só que Levi não age como Bee espera. Ele é atencioso, protetor, quase gentil, e isso desmonta a narrativa que ela carregou por anos sobre a rivalidade dos dois. Enquanto tenta salvar o projeto, Bee precisa rever tudo o que achava saber sobre o passado.
Bee e Levi: rivalidade na NASA
O tropo aqui é o de rivais que se apaixonam (“enemies to lovers”), com um detalhe: a rivalidade é mais imaginada do que real, pelo menos de um dos lados. Isso tira um pouco da tensão, mas dá ao livro um tom mais terno do que o da estreia.
Bee é uma das heroínas mais peculiares da autora. Tem cabelo colorido, uma irmã gêmea com quem troca mensagens constantes e uma relação complicada com a própria autoconfiança. Levi é o molde clássico de Hazelwood: alto, sério, de poucas palavras e devotado. Para entender por que esse molde se repete, vale ler nosso texto sobre as heroínas cientistas de Ali Hazelwood.
Comparado a A Hipótese do Amor
A comparação é inevitável, e o livro não sai ganhando em tudo. A voz é parecida, com narração em primeira pessoa desta vez, humor autodepreciativo e muitas referências científicas, e a estrutura segue o mesmo desenho: encontro, aproximação, mal-entendido, resolução. Quem leu A Hipótese do Amor vai reconhecer o caminho.
O que muda é o foco. Aqui, a sabotagem profissional e o machismo no ambiente de trabalho ocupam mais espaço, e a relação de Bee com a irmã e com o passado ganha camadas que a estreia não tinha. Por outro lado, a revelação central é resolvida rápido demais, sem o peso emocional que a construção prometia.
Pontos fortes e fracos
Funciona: a protagonista, excêntrica e cativante; a crítica ao ambiente hostil para mulheres em espaços técnicos; as referências a Marie Curie, que dão ao livro uma espinha dorsal temática; o humor das mensagens entre as irmãs.
Não funciona: a sensação de déjà-vu para quem vem da estreia; o ritmo lento do meio do livro; um mocinho perfeito demais, sem arestas que o tornem memorável; o desfecho apressado.
Um segundo livro à sombra do primeiro
A Razão do Amor é o livro de uma autora ainda descobrindo o que fazer depois de um sucesso inesperado. Repete o que deu certo e acrescenta pouco, mas tem uma protagonista que merece ser conhecida e um retrato honesto de como a competência feminina é minada em ambientes técnicos. Não é o melhor da autora, esse posto disputamos em nosso ranking dos melhores livros de Ali Hazelwood, mas é uma leitura agradável para quem gostou da estreia.
Quem quer ver a fórmula no auge deve seguir para Amor, Teoricamente. Quem quer começar pela obra inteira, o caminho é o guia de por onde começar a ler Ali Hazelwood e o guia completo da autora. As opções de compra estão reunidas em onde comprar livros de Ali Hazelwood.
Perguntas frequentes
A Razão do Amor é continuação de A Hipótese do Amor?
Não. É um romance independente, com novos personagens. Pode ser lido sem conhecer o livro anterior.
Qual é a classificação indicativa de A Razão do Amor?
A edição brasileira indica leitura a partir dos 16 anos. Há cenas de sexo, em nível parecido com o de A Hipótese do Amor.
Quantas páginas tem A Razão do Amor?
A edição da Editora Arqueiro tem 336 páginas.
A Razão do Amor vale a pena?
Vale para quem gostou de A Hipótese do Amor e quer mais do mesmo estilo. Para quem busca novidade dentro da obra da autora, outros títulos surpreendem mais.
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