LIVROS

Olive Smith e as Heroínas Cientistas de Ali Hazelwood

Como Olive, Bee e Elsie levam para a comédia romântica a vida real das mulheres na ciência: síndrome do impostor, assédio e precariedade

Publicado em

Olive Smith e as Heroínas Cientistas de Ali Hazelwood
Olive Smith e as heroínas cientistas de Ali Hazelwood

Olive Smith pesquisa câncer de pâncreas. Bee Königswasser estuda o cérebro. Elsie Hannaway faz física teórica. As protagonistas de Ali Hazelwood têm profissões que raramente aparecem em comédias românticas, e é justamente essa escolha que transformou a autora em referência do que se convencionou chamar de “STEMinist romance”, o romance com mulheres na ciência.

Mais do que um detalhe de currículo, a carreira dessas personagens organiza o enredo, define os conflitos e carrega a crítica social que dá peso aos livros. Este texto olha para Olive, a primeira delas, e para o que se repete, e o que muda, nas heroínas que vieram depois.

Olive Smith: a doutoranda que beija o primeiro que aparece

A protagonista de A Hipótese do Amor está no terceiro ano do doutorado em biologia em Stanford. Escolheu pesquisar câncer de pâncreas porque foi a doença que matou a mãe dela, e esse luto silencioso atravessa o livro inteiro. Olive tem pouca rede de apoio fora dos amigos e vive com o dinheiro contado de uma bolsa de doutorado, o que torna cada decisão de carreira uma aposta alta.

Ao mesmo tempo, é uma personagem de comédia: fala demais quando está nervosa, se mete em situações absurdas e resolve problemas com impulsos péssimos, como beijar um desconhecido no corredor. Hazelwood equilibra essas duas dimensões com cuidado. Olive é engraçada, mas nunca é boba; é insegura, mas nunca incompetente.

Bee e Elsie: variações sobre o mesmo tema

Em A Razão do Amor, Bee Königswasser é neurocientista e tem Marie Curie como guia moral. Excêntrica, de cabelo colorido e humor ácido, ela enfrenta um ambiente de trabalho que tenta sabotá-la desde o primeiro dia. Seu conflito central é provar competência num espaço que parece desenhado para vê-la falhar.

Em Amor, Teoricamente, Elsie Hannaway é a heroína mais complexa da série acadêmica. Física teórica, professora adjunta mal paga e portadora de diabetes tipo 1, ela passou a vida moldando a personalidade para agradar os outros. O bico como namorada de aluguel é a expressão mais literal disso.

O que se repete: impostora, assédio, precariedade

Lidas em sequência, as três protagonistas revelam um retrato bastante preciso das dificuldades de mulheres na carreira científica.

  • Síndrome do impostor. Todas duvidam do próprio mérito, mesmo quando os resultados dizem o contrário.
  • Dependência de homens poderosos. A carreira de cada uma passa pela aprovação de pesquisadores mais velhos, quase sempre homens.
  • Assédio e sabotagem. A Hipótese do Amor trata de assédio sexual por uma figura de poder; A Razão do Amor, de sabotagem sistemática no trabalho.
  • Precariedade financeira. Bolsas insuficientes, contratos temporários, planos de saúde que dependem do emprego.
  • Rede de amigas. Anh, a melhor amiga de Olive; a irmã gêmea de Bee; as colegas de Elsie. A amizade feminina é sempre o que sustenta a protagonista.

É nesse ponto que Hazelwood se diferencia de outras autoras de comédia romântica: o amor não resolve os problemas profissionais das heroínas. Elas precisam resolvê-los por conta própria, e o parceiro, no máximo, apoia.

Lili Reinhart como Olive

No filme lançado pelo Prime Video em setembro de 2026, Olive é interpretada por Lili Reinhart, conhecida por Riverdale. A atriz traz para a personagem uma leveza de comédia que funciona bem, e a química com Tom Bateman, que vive Adam Carlsen, foi o aspecto mais elogiado pela crítica.

O roteiro, porém, reduz a dimensão interior de Olive. Sem a narração, o luto pela mãe e a ansiedade constante ficam menos visíveis, e a resolução da carreira dela no filme depende mais de uma oferta direta do que do esforço da personagem. As mudanças estão em A Hipótese do Amor: livro vs. filme.

Heroínas que trabalham

Por muito tempo, a comédia romântica tratou o trabalho da protagonista como cenário: a editora de revista, a organizadora de eventos, a arquiteta que nunca aparece projetando nada. Hazelwood inverte essa lógica. Em seus livros, a pesquisa das heroínas tem nome, método e consequência, e a ambição profissional é tão importante quanto o desejo romântico.

Essa é talvez a maior contribuição da autora ao gênero, e o motivo pelo qual tantas leitoras cientistas se reconhecem nesses livros. Para seguir na obra, confira o guia de por onde começar a ler Ali Hazelwood e o guia completo da autora.

Perguntas frequentes

Qual é a profissão de Olive Smith?

Olive é doutoranda em biologia em Stanford e pesquisa câncer de pâncreas, a doença que matou a mãe dela.

Quem interpreta Olive no filme?

Lili Reinhart interpreta Olive Smith no filme A Hipótese do Amor, do Prime Video.

O que é STEMinist romance?

É um rótulo para romances com protagonistas mulheres em áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, combinando comédia romântica e comentário sobre desigualdade de gênero nessas áreas.

Gostou deste conteúdo? Continue acompanhando o Cansei De Ser Pop para mais reportagens sobre literatura, cultura pop e comportamento. Confira também nossas indicações de leitura e produtos para colecionadores na Loja Cansei De Ser Pop.

Envie para
um amigo


Seja um apoiador

Ao se tornar um apoiador, você passa a receber conteúdos exclusivos e participa de sorteios e promoções especiais para apoiadores.

[wpdevart_facebook_comment curent_url="https://canseideserpop.com/livros/heroinas-cientistas-ali-hazelwood/" width="100%"]