Todo álbum da Beyoncé é um evento, porém para Renaissance, nós pudemos nos preparar, diferente de seus últimos trabalhos, enquanto Beyoncé, de 2013, e Lemonade, de 2016, chegaram com pouco ou nenhuma divulgação, seu sétimo disco seguiu um lançamento mais tradicional: foi anunciado há semanas em conjunto com uma capa da Vogue e seguido por um lead single, Break My Soul.

O mundo está pronto para celebrar, quer dizer, com as novas perspectivas trazidas com as vacinas da COVID-19 e a visão de um fim para a pandemia, Beyoncé decide ocupar o lugar de ser nossa DJ e dar a trilha sonora perfeita para o fim desse período de dor e isolamento.

Mas se engana quem pensa que Renaissance é apenas um disco dedicado às pistas, ele faz parte de um projeto maior, e aqui não falo da trilogia de álbuns que Queen B promete lançar, mas sim da sua preocupação em deixar um legado e construir algo que realmente faça a diferença para o mundo.

E é possível entregar conceito com farofa, se é, não sei, mas Beyoncé conseguiu.

No disco Beyoncé vai atrás do berço do house e techno, dedica esse album ao seu tio Jonny e aos pioneiros que não tiveram suas contribuições reconhecidas, para isso o novo álbum conta com samples de Donna Summer, Nile Rodgers, Teena Marie e diversos outros artistas, Inclusive Grace Jones.

Mas quem é Grace Jones? Artista que Beyoncé homenageia desde a capa até as músicas de Renaissance.

“A artista multifacetada eternizou sua imagem como supermodelo, rainha da era disco e atriz. No mundo da música, Jones foi indicada ao Grammy pelo seu trabalho que une diversos gêneros, incluindo reggaes e R&B, enquanto no mundo cinematográfico se destacou por seu trabalho em Conan – O Destruidor e 007 – Na Mira dos Assassinos. “Harpers Bazaar. 2021

Os ensinamentos de Beyoncé em Renaissance vão muito além do que é fazer uma boa música da ‘Era Disco”, Beyoncé nos ensina a importância de homenagear nossos ícones e ídolos ainda em vida.

Em Renaissance, Beyoncé se reinventa mais uma vez, aos 40 anos, idade onde artistas mulheres começam a ser descartadas pela mídia, rádios e tv, em geral, mas Beyoncé é tão criativa, que é impossível ignorá-la.

À esquerda temos a capa do novo disco de Beyoncé e a direita, capa do disco de Grace Jones (2008), além das referências do disco, Beyoncé também está usando a mesma tipografia de Grace.

Outra coisa interessante é que Beyoncé checou os antecedentes dos colaboradores do disco, para evitar músicos problemáticos.

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Mas por que isso?

Em “Drunk in Love,” por exemplo, Beyoncé trabalhou com Detail, preso por abuso sexual em 2020 e por diversos ataques entre 2010 e 2018.

Para isso, a cantora fez checagens  #MeToo (projeto de denúncia de abusos sexual que começou na indústria do cinema com qualquer colaborador em potencial).

Beyoncé, sabendo do espaço que ocupa, não se preocupa em produzir músicas curtas, pensadas para o tik tok, que cumprem o manual de um hit de 2022, por ocupar um lugar de divindade na música pop, Queen B pode fazer o que quiser, e ela sabe muito bem disso.

Renaissance é a volta de Beyoncé para a farofa, mas uma farofa com conteúdo e cheia de referências.

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