
Imagine um palco em forma de vitória-régia flutuando no Rio Guamá, em Belém, iluminado sob a chuva fina da floresta. Agora imagine Mariah Carey, de microfone em punho, cantando “Hero” para um mundo que precisa justamente de heróis – ambientais, indígenas, culturais. Essa cena surreal foi real na noite de quarta-feira, 17 de setembro, no especial de TV Amazônia Live – Hoje e Sempre, promovido por Rock in Rio e The Town.
O evento misturou megastar global e raízes locais: antes de Mariah, as divas paraenses Dona Onete, Joelma, Gaby Amarantos e Zaynara abriram o show com um repertório que é a cara da resistência musical da região. Tudo transmitido nacionalmente – de graça – pelo Multishow e Globoplay.

Um palco-vitória-régia e a mensagem que veio das águas
O palco foi concebido como uma vitória-régia gigante – símbolo máximo da Amazônia e da resistência que flutua e floresce mesmo na adversidade. Não à toa. Mariah Carey subiu nele para performances de “We Belong Together”, “Heartbreaker” e “Type Dangerous”, seu novo single, mas também para endossar a causa: “esta noite estamos aqui para dar visibilidade à preservação da floresta tropical”.
A imagem do palco iluminado sobre o rio, com a cantora no centro, foi uma das mais simbólicas do ano na TV brasileira – e um lembrete potente de que a cultura e a natureza podem (e devem) ocupar o mesmo espaço.
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As vozes do Pará: de Dona Onete a Gaby Amarantos
Antes da diva global, veio a força local. Joelma vestiu look de arara-azul e cantou “Voando pro Pará”; Gaby Amarantos chamou Zaynara para “Mulher da Amazônia”; e Dona Onete, aos 86 anos, mandou um “No Meio do Pitiú” e brincou: “Vamos dar uma flor de jambu para a cantora que veio de fora, para ela começar a tremer desde já”.
O recado foi claro: o protagonismo é da Amazônia. Como disse Gaby: “É a vez do Norte, é a vez do Pará”.

Ivete Sangalo e o show gratuito que esgotou em horas
No sábado, dia 20, a mobilização continua – agora no Mangueirão, com Ivete Sangalo num show gratuito para 46 mil pessoas. Os ingressos esgotaram em poucas horas. Junto sobem ao palco Viviane Batidão, rainha do tecnomelody, e Lia Sophia, prometendo uma festa de guitarrada e carimbó.
A estratégia é clara: unir o popular e o político, o global e o local, em torno de uma causa urgente.
O legado que fica: além do show
O Amazônia Live não é só espetáculo. É um movimento de legado que já plantou mais de 4 milhões de árvores no país e agora destina R$ 2 milhões para seis iniciativas de bioeconomia e empreendedorismo local em Belém. Entre elas: Instituto Peabiru, ASFLORA e associações de recicladores e quilombolas.
Ou seja: depois que as luzes se apagam, o trabalho continua.
Em tempos de crise climática e COP30 se aproximando de Belém, o Amazônia Live acerta ao usar a cultura como plataforma de conscientização – sem cair no lugar-comum do “show beneficente”. Mariah Carey cantando no meio do rio não é só marketing; é um statement visual poderosíssimo. E a escolha das artistas paraenses não é tokenismo: é reconhecimento de que a cultura da floresta é tão global quanto um hit internacional.
Aqui, a música vira instrumento de visibilidade, renda e orgulho territorial. E isso é potente.
E você, assistiu ao especial? O que achou da escolha das artistas? Acredita que eventos culturais como esse podem de fato pressionar por mudanças?
Compartilha nos comentários – e não esquece: no sábado tem Ivete no Mangueirão, de graça e por uma causa maior.
A Amazônia é aqui – e o show não pode parar.
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