
Quando Madonna surgiu sem aviso no palco de Sabrina Carpenter, no segundo fim de semana do Coachella 2026, o recado era maior do que uma participação especial. Ao lado da estrela mais jovem do pop, a Rainha cantou “Vogue”, “Like a Prayer” e uma faixa que ninguém tinha ouvido.
No dia seguinte, o mistério se desfez: aquela música era “Bring Your Love”, e ela anunciava o projeto mais aguardado da carreira recente de Madonna: Confessions II, a sequência direta do álbum que, em 2005, reinventou a disco music para o século XXI.
Lançado em 3 de julho de 2026, o disco não foi um aceno nostálgico solto. Foi um movimento calculado, e que deu certo: o reencontro com o produtor Stuart Price e o retorno à Warner Records depois de mais de duas décadas se traduziram em estreia no topo da Billboard 200 e na aclamação quase unânime da crítica internacional.
Este guia reúne tudo sobre o álbum: recepção, estreia nas paradas, tracklist completo, o filme, a participação de Madonna na Copa do Mundo e o que ainda falta saber sobre uma possível turnê.
Por que uma sequência, e por que agora
A ideia vinha sendo semeada havia anos. Já em 2022, num vídeo no YouTube, Madonna falava em vontade de revisitar a house music. Em setembro de 2024, confirmou estar produzindo material novo ao lado de Stuart Price; em fevereiro de 2025, assumiu publicamente que o trabalho seria um sucessor de Confessions on a Dance Floor. A peça final do quebra-cabeça veio em setembro de 2025, quando anunciou a volta à Warner — sua casa por mais de 25 anos.
“Quase duas décadas depois, e parece um lar… De volta à música, de volta à pista de dança, de volta ao lugar onde tudo começou.” escreveu em post no Instagram.
A escolha de Price foi o que deu legitimidade ao projeto: foi ele quem moldou a identidade sonora do álbum de 2005 e produziu “Hung Up”, “Sorry” e “Jump”. Confessions II nasceu, portanto, da mesma dupla — e da mesma aposta na pista como linguagem.
Os singles: “Bring Your Love” e “I Feel So Free”
A nova era começou de fato em abril de 2026. Primeiro veio “I Feel So Free”, lançada como single promocional em 17 de abril e confirmada como a faixa de abertura do álbum. Produzida por Madonna e Stuart Price com coprodução de Arca, a música transita entre EDM e deep house e estreou na Pride Radio do iHeartRadio antes de chegar às plataformas.

Na parada Dance Mix/Show Airplay da Billboard, saltou para o nono lugar, o décimo top 10 de Madonna na tabela e o primeiro desde “Celebration”, em 2009.
O grande golpe, porém, foi “Bring Your Love”, parceria com Sabrina Carpenter lançada em 30 de abril após a estreia ao vivo no Coachella.
Faixa de house e dance-pop com batida que evoca “Vogue”, ela traz versos de afirmação e autonomia. A recepção foi imediata: 88,99% dos votos na enquete de melhor lançamento da semana da Billboard, à frente de nomes como Kacey Musgraves e Zara Larsson.
Nas paradas, “Bring Your Love” estreou em 74º na Billboard Hot 100 (lista de 16 de maio de 2026), a maior entrada daquela semana, com 4,1 milhões de streams, 6,6 milhões de impressões de airplay e 3 mil cópias vendidas na primeira semana cheia. Foi a 59ª entrada de Madonna na Hot 100, sua primeira como artista principal em vários anos — e ajudou a construir o pico comercial que o álbum confirmaria em julho.
A crítica: “o melhor álbum de Madonna em duas décadas”
A recepção da imprensa especializada foi, em sua maioria esmagadora, entusiasmada. A NME chamou Confessions II de “o álbum mais vital de Madonna em mais de duas décadas”.
A Rolling Stone foi na mesma linha, descrevendo o disco como “o melhor álbum dela desde o Confessions original, 21 anos atrás”, um “groove contínuo de 64 minutos que flui como um set de DJ de clube”.
O The Guardian, na resenha-do-ano-de Alexis Petridis, deu 4 de 5 estrelas, e a Classic Pop foi ainda mais longe, com 4,5 estrelas e a avaliação de que o disco “é digno de seu antecessor”, mesmo sem uma faixa isolada do calibre de “Hung Up”.

Nem toda a cobertura foi só elogio. A Variety notou que o álbum “se torna homogêneo” na segunda metade, argumentando que o disco “passa tempo demais descrevendo a transcendência em vez de realmente entregá-la”.
Mas o tom gera, inclusive da BBC, que descreveu o conjunto como “uma mistura inebriante de hedonismo e exuberância”, foi de que Madonna havia acertado a mão de um jeito que não acontecia desde o álbum original.
Um fio condutor elogiado por vários críticos foi a camada pessoal escondida sob o verniz de pista: “Fragile” é um tributo ao irmão Christopher, com quem Madonna se reconciliou antes de sua morte em 2024; e “The Test” é um dueto emocional com a filha mais velha, Lourdes “Lola” Leon, em que Madonna reconhece o peso de ter criado a filha sob os holofotes.
Como Confessions II se saiu nas paradas
Os números confirmaram o entusiasmo da crítica. Confessions II estreou em #1 na Billboard 200 (semana de 18 de julho) com 134 mil unidades equivalentes nos EUA, a maior semana de Madonna desde MDNA (2012), a maior semana de streaming de toda a sua carreira (20,1 milhões de streams) e a maior semana de vendas em vinil da era moderna da indústria: 59 mil cópias, sozinhas responsáveis por boa parte do total.
O álbum superou a estreia de You Seem Pretty Sad for a Girl So in Love, de Olivia Rodrigo, que ficou em segundo lugar naquela semana.
Foi o 10º álbum de Madonna a estrear em #1 nos Estados Unidos e o 13º no Reino Unido, o que a tornou a única artista mulher americana com álbuns #1 no Reino Unido ao longo de cinco décadas diferentes. Com o feito, ela também empatou com os Beatles como os únicos artistas a somar 10 números um no Billboard 200 e no equivalente britânico, além de 10 músicas número um em ambas as paradas de singles dos dois países.
O ciclo promocional ganhou um capítulo extra em 19 de julho, quando Madonna abriu o primeiro show de intervalo da história de uma final de Copa do Mundo, no New York New Jersey Stadium, dividindo o palco com Shakira, BTS, Justin Bieber e Burna Boy.
Ela subiu ao palco de patins ao lado do próprio Stuart Price no DJ, recriando o mashup “Music Inferno” e o figurino disco de Confessions on a Dance Floor, um lembrete visual, para uma audiência global, de que o álbum de 2026 é, antes de tudo, uma continuação direta daquele universo.
Tracklist completo de Confessions II
Fiel ao conceito original, a edição padrão foi lançada como um “non-stop mix” de 12 faixas, com transições contínuas que simulam um set de DJ. A versão deluxe amplia para 16 músicas, e uma faixa bônus (“Hot Sauce”, parceria com a marca Absolut) ficou reservada à Icon Edition digital.
| # | Faixa | Duração |
| 1 | I Feel So Free | 5:04 |
| 2 | Good for the Soul | 3:09 |
| 3 | One Step Away | 4:24 |
| 4 | Bring Your Love feat. Sabrina Carpenter | 3:36 |
| 5 | Danceteria | 3:57 |
| 6 | Read My Lips feat. Feid | 4:47 |
| 7 | Everything | 4:10 |
| 8 | Love Sensation | 3:49 |
| 9 | Love Without Words | 4:21 |
| 10 | Bizarre feat. Martin Garrix | 4:06 |
| 11 | School | 4:24 |
| 12 | Fragile | 4:20 |
| 13 | My Sins Are My Savior feat. Stromae | 3:21 |
| 14 | Betrayal | 4:10 |
| 15 | The Test feat. Lola Leon | 3:39 |
| 16 | L.E.S. Girl | 2:51 |
O filme: Confessions II nas telas
Diferente do disco de 2005, Confessions II chegou acompanhado de um companion cinematográfico. Confessions II – The Film, um curta de cerca de dez minutos dirigido por TORSO e construído em torno das seis primeiras faixas do álbum: “I Feel So Free”, “Good for the Soul”, “One Step Away”, “Bring Your Love”, “Danceteria” e “Read My Lips”), estreou na 25ª edição do Tribeca Festival, em Nova York, quase um mês antes do álbum. A campanha foi além do circuito musical: um teaser do projeto rodou nos cinemas antes de O Diabo Veste Prada 2, em uma peça que reunia Madonna e Anna Wintour, a editora da Vogue.
O legado imediato: recepção pessoal e a pergunta da turnê
Pelas declarações de Madonna, Confessions II não quis apenas repetir a fórmula de duas décadas atrás quis reafirmar sua tese.
“As pessoas acham que a música dance é superficial, mas entenderam tudo errado… A pista de dança não é só um lugar, é um limiar: um espaço ritualístico onde o movimento substitui a linguagem.” – disse a artista. “
O disco celebra dança, comunidade e liberdade individual, o mesmo princípio que guiou o original, agora atualizado pela house dos anos 1990 e pela eletrônica contemporânea, e adensado por faixas que tratam de luto (“Fragile”) e maternidade (“The Test”).
A pergunta que resta é sobre uma turnê. Ainda não há nada oficialmente confirmado. Em maio, um post no Instagram celebrando os 20 anos da Confessions Tour trazia a legenda “Confessions Tour — Part 1”, o que alimentou especulação entre os fãs sobre uma “Part 2”.
Em entrevistas recentes, a própria Madonna deixou a porta aberta – disse a Graham Norton que pretende “fazer turnês de promoção por um tempo, e então, no verão, algo maior”, e chegou a descartar publicamente uma residência em Las Vegas (“não quero acordar todo dia vendo o Vegas”).
Uma participação no Glastonbury 2027 também já foi insinuada, mas nada foi anunciado oficialmente até o momento.
Perguntas frequentes
Quando o Confessions II foi lançado?
O álbum chegou em 3 de julho de 2026, pela Warner Records. O filme musical de acompanhamento, um curta de cerca de dez minutos, estreou antes, em 5 de junho, no Tribeca Festival.
Quem produziu o Confessions II?
Madonna e Stuart Price, a mesma dupla por trás do álbum de 2005, com contribuições de Martin Garrix, Cirkut, Andrew Watt e Arca em faixas específicas.
Qual é o single principal do álbum?
“Bring Your Love”, parceria com Sabrina Carpenter, lançada em 30 de abril de 2026. Estreou em 74º na Billboard Hot 100, a maior entrada daquela semana.
Quantas faixas tem o Confessions II?
A edição padrão traz 12 faixas, no formato “non-stop mix”; a deluxe amplia para 16 músicas, mais a faixa bônus “Hot Sauce”, exclusiva da Icon Edition digital.
Confessions II é uma continuação do álbum de 2005?
Sim. É uma sequência direta de Confessions on a Dance Floor, retomando a estética disco e eletrônica e o conceito de álbum em mixagem contínua.
Confessions II teve boa recepção da crítica?
Em geral, sim — foi chamado de o melhor álbum de Madonna em duas décadas por veículos como NME e Rolling Stone, com nota 4 ou mais de 5 em The Guardian e Classic Pop. Algumas resenhas, como a da Consequence, foram mais mornas.
Como foi a estreia de Confessions II nas paradas?
Estreou em #1 na Billboard 200 com 134 mil unidades — o 10º álbum de Madonna a liderar a parada nos EUA, superando a estreia de Olivia Rodrigo naquela semana, com a maior semana de streaming e de vendas em vinil de toda a carreira da cantora.
Vai ter turnê de Confessions II?
Nenhuma turnê foi oficialmente confirmada até agora. Madonna sinalizou abertura para uma turnê “maior” no futuro e descartou uma residência em Las Vegas, mas nada foi anunciado oficialmente.
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