
Em 1973, Stephen King era professor de inglês numa escola secundária em Maine, ganhava US$ 6.400 por ano, e escrevia histórias à noite numa máquina de escrever portátil instalada na área de lavanderia do trailer onde morava com a mulher e os filhos pequenos. Quando o agente ligou para dizer que a Doubleday havia comprado Carrie por US$ 2.500, King não acreditou. Quando o mesmo agente ligou de novo para dizer que os direitos de brochura tinham sido vendidos por US$ 400.000 — metade para King — ele chorou. Tinha 26 anos.
Cinquenta anos depois, vendeu mais de 350 milhões de livros, tem mais de 60 romances publicados e é o autor mais adaptado para cinema e televisão da história. A pergunta que os críticos literários fazem — “mas é literatura de verdade?” — nunca o incomodou muito.
A Infância em Maine
Stephen Edwin King nasceu em 21 de setembro de 1947 em Portland, Maine. O pai, Donald King, abandonou a família quando Stephen tinha dois anos, deixando sua mãe, Nellie Ruth, para criar sozinha Stephen e o irmão mais velho David. A família foi pobre de forma intermitente — a mãe trabalhava em empregos variados, eles se mudavam com frequência para morar perto de parentes que pudessem ajudar.
King começou a escrever na infância. Reescrevia enredos de filmes B de horror e os vendia para os colegas de escola por centavos. Submeteu seu primeiro conto para publicação aos 12 anos. Acumulou rejeições com metodologia: afixava os bilhetes de rejeição num prego na parede até o prego não aguentar mais e precisar ser trocado por um maior.
A Universidade e os Primeiros Anos
King formou-se em inglês pela Universidade do Maine em 1970. Casou com Tabitha Spruce — também escritora — em 1971. Os primeiros anos depois da universidade foram de dificuldade financeira: empregos em lavanderias industriais, numa fábrica de tricô, como professor substituto. Escrevia à noite e nos fins de semana.
Vendia contos para revistas pulp masculinas — Cavalier e Dude, principalmente — por US$ 35 a US$ 65 cada. Era o suficiente para pagar contas pequenas. Não era o suficiente para sair do trailer.
Carrie e o Ponto de Virada
King começou Carrie em 1972 e a abandonou depois de algumas páginas — achou o projeto ruim. Tabitha recolheu as páginas do lixo, leu, e disse que ele deveria continuar. Ele terminou. O agente enviou para a Doubleday. A Doubleday comprou por US$ 2.500 de adiantamento. A New American Library comprou os direitos de brochura por US$ 400.000. Brian De Palma adaptou para o cinema em 1976.
A Década de Ouro e os Anos de Abuso
Nos anos 1980, King produziu alguns de seus melhores livros — O Iluminado, It, Misery — e também desenvolveu dependência severa de álcool e cocaína. Em On Writing, sua autobiografia e manual de escrita, King admite que não se lembra de escrever Cujo — publicou o livro e não tem memória do processo de criação.
Ele entrou em recuperação no fim dos anos 1980 com intervenção da família. Ficou sóbrio. Continuou escrevendo.
O Acidente de 1999
Em junho de 1999, King estava caminhando numa estrada perto de sua casa quando foi atropelado por uma van. Sofreu fratura no quadril, na perna, em várias costelas, e no pulso. A recuperação foi longa e dolorosa. Ele escreveu sobre o processo em On Writing — o livro estava pela metade quando o acidente aconteceu, e terminar o manuscrito foi parte da reabilitação.
O Legado
Stephen King recebeu o National Book Award por contribuição distinguida à literatura americana em 2003 — para escândalo de parte do establishment literário. Harold Bloom, o crítico, escreveu um artigo irado no Washington Post contra a decisão. King respondeu, com elegância, que Bloom havia confundido popularidade com mediocridade.
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