
Stephen King afirmou que Cemitério Maldito é o livro que mais o assustou. Que havia ido longe demais. Que hesitou em publicar. A Doubleday estava com contrato a cumprir e King entregou o manuscrito quase como obrigação desconfortável. Publicado em 1983, continua sendo por consenso o romance mais perturbador do catálogo.
A Premissa
Louis Creed se muda com a mulher Rachel, a filha Ellie e o filho Gage de dois anos para Ludlow, Maine — perto de uma rodovia com tráfego pesado de caminhões. O vizinho idoso Jud Crandall apresenta o cemitério dos animais de estimação. Atrás dele, floresta adentro, há outro lugar. O que é enterrado lá ressuscita — mas não volta como era.
Por Que É o Mais Assustador
O horror não tem saída. King não oferece redenção nem sobrevivência satisfatória. A morte de Gage — com dois anos — é a cena mais difícil que King já escreveu: não pelo gore, mas pela precisão emocional com que descreve o que a perda de um filho faz com uma família. O pai que decide usar o cemitério maldito é movido por uma lógica de desespero que o leitor entende — e isso é o mais aterrorizante de tudo.
As Adaptações
O filme de Mary Lambert (1989), com Fred Gwynne como Jud Crandall, é clássico. King escreveu o roteiro. A cena de Zelda — a irmã doente de Rachel — é uma das mais perturbadoras do horror americano dos anos 1980. A remake de 2019 tem produção mais sofisticada mas perde o peso emocional do original.
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