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10 Curiosidades sobre Clarice Lispector que você provavelmente não sabia

Da origem ucraniana ao jornalismo policial: o que poucos sabem sobre Clarice Lispector.

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10 Curiosidades sobre Clarice Lispector que você provavelmente não sabia
Descubra 10 curiosidades sobre Clarice Lispector e conheça fatos marcantes sobre a vida, a carreira e a obra de uma das maiores escritoras da literatura brasileira. Imagem: Divulgação | Edição: Agência CSP

Clarice Lispector é uma das escritoras mais citadas do mundo — não apenas no Brasil. Suas frases circulam nas redes sociais, seus retratos aparecem em camisetas, seu nome é invocado em discussões literárias nos cinco continentes. Mas além dos livros e das citações, há uma vida e uma história que são extraordinárias por si mesmas. Dez curiosidades sobre Clarice Lispector que valem a atenção.

Imagem de destaque com retrato de Clarice Lispector e o título "10 Curiosidades sobre Clarice Lispector", utilizada como capa de matéria sobre a escritora.
Descubra 10 curiosidades sobre Clarice Lispector e conheça fatos marcantes sobre a vida, a carreira e a obra de uma das maiores escritoras da literatura brasileira. Imagem: Divulgação | Edição: Agência CSP

1. Ela Nasceu na Ucrânia e Chegou ao Brasil com Menos de Dois Meses

Clarice nasceu em 10 de dezembro de 1920 em Tchetchelnik, Ucrânia. A família judaica fugia dos pogroms do pós-Primeira Guerra. Chegaram ao Brasil em 1922 — Clarice tinha menos de dois meses. Cresceu falando português como primeira língua e escreveu toda a sua obra em português, mas a origem estrangeira esteve sempre presente em sua identidade.

2. Ela Publicou Seu Primeiro Romance aos 23 Anos

Perto do Coração Selvagem foi publicado em 1943, quando Clarice era ainda estudante de Direito. A crítica ficou atônita: o livro não se parecia com nada que havia sido publicado no Brasil até então. Sérgio Milliet o chamou de “desconcertante”. O elogio é certeiro — e vale para toda a carreira subsequente.

3. Ela Passou 15 Anos Fora do Brasil

Casada com o diplomata Maury Gurgel Valente, Clarice viveu em Nápoles, Berna, Torquay e Washington entre o final dos anos 1940 e 1959. Foi em Washington que escreveu A Maçã no Escuro. Voltou ao Brasil em 1959, separada, com dois filhos.

4. Ela Escreveu uma Coluna de Conselhos sob Pseudônimo

Para sobreviver financeiramente após a separação, Clarice escreveu uma coluna de respostas a leitores no Correio da Manhã e depois no Jornal do Brasil, assinada como “Helen Palmer” e “Tereza Quadros”. As cartas eram ficcionais — Clarice inventava as perguntas e as respostas — e algumas foram depois publicadas em coletâneas.

5. Ela Quase Perdeu a Mão Direita em um Incêndio

Em setembro de 1966, Clarice adormeceu com um cigarro aceso no quarto. O incêndio queimou gravemente sua mão direita — ela precisou de múltiplas cirurgias e ficou com cicatrizes permanentes. Escrever à máquina tornou-se doloroso. A recuperação foi longa e a experiência deixou marcas psicológicas visíveis nos textos posteriores.

6. Ela Morreu um Dia Antes do Aniversário

Clarice morreu em 9 de dezembro de 1977 — um dia antes de completar 57 anos. Morreu de câncer ovariano, no Rio de Janeiro. A coincidência é assombrosa para quem leu os livros: Clarice, que escreveu tanto sobre o tempo e a morte, morreu na véspera do dia em que completaria mais um ano.

7. Ela Publicou o Último Romance Dois Meses Antes de Morrer

A Hora da Estrela foi publicado em outubro de 1977. Clarice morreu em dezembro do mesmo ano. O livro havia sido escrito enquanto ela já sabia do diagnóstico de câncer. Há pesquisadores que leem o livro como uma despedida — e o final de Macabéa como uma meditação sobre a morte de alguém que não sabe que vai morrer.

8. Suas Frases Viraram Fenômeno Global

No Instagram, no TikTok, em impressões de camisetas e canecas, as frases de Clarice Lispector circulam em dezenas de idiomas. Parte dessas citações são autênticas. Parte significativa é apócrifa — frases que nunca estiveram em nenhum livro mas foram atribuídas a ela. O fenômeno diz algo sobre como Clarice foi transformada em ícone cultural antes que sua obra fosse completamente lida.

9. Ela Chegou a Trabalhar Como Jornalista Policial

Nos primeiros anos no Rio, antes de casar com o diplomata, Clarice trabalhou na Agência Nacional e também na redação do A Noite, um jornal carioca. Em pelo menos uma ocasião, foi enviada para cobrir a delegacia policial — uma experiência que ela própria descreveu como desconcertante para uma jovem escritora cujas referências eram Virgínia Woolf e Katherine Mansfield.

10. Ela Nunca Recebeu o Prêmio Camões

O Prêmio Camões — o mais importante da literatura em língua portuguesa — foi criado em 1989, doze anos após a morte de Clarice. Ela nunca recebeu um grande prêmio literário durante a vida. Seu reconhecimento como a maior escritora brasileira do século XX é essencialmente póstumo e crítico — construído ao longo das décadas seguintes à morte, especialmente com as edições críticas da Rocco nos anos 1990.


Veja também a biografia completa de Clarice Lispector e o guia da obra. Continue acompanhando o Cansei De Ser Pop.

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