
Elsie Hannaway tem dois empregos e nenhum deles paga as contas. De dia, é física teórica e dá aulas como professora adjunta, com contrato precário e salário baixo. Nas horas vagas, trabalha como namorada de aluguel, fingindo ser a companheira perfeita para clientes que precisam de uma acompanhante em eventos de família. Ela é boa nisso: sabe ler o que cada pessoa espera e virar exatamente essa pessoa.
O arranjo desmorona quando Elsie descobre que o irmão de um de seus clientes fixos é Jack Smith, físico experimental conhecido por desprezar a física teórica e membro do comitê que vai decidir a vaga de emprego que ela mais quer. Amor, Teoricamente (Love, Theoretically) é, para muita gente, o melhor livro de Ali Hazelwood. A resenha a seguir não tem spoilers.
Sinopse sem spoilers
Elsie tem diabetes tipo 1 e depende do plano de saúde que um emprego estável garantiria, o que torna a vaga uma questão de sobrevivência, não só de carreira. Jack, por sua vez, tem motivos pessoais para desconfiar da física teórica, ligados a um episódio do passado da própria família. Os dois começam em lados opostos de uma disputa científica que é, também, uma disputa de valores.
O livro acompanha o processo seletivo, as máscaras que Elsie usa para agradar a todos e a descoberta, lenta, de que Jack é a única pessoa que parece enxergá-la sem máscara nenhuma.
A heroína que vive de agradar os outros
O grande trunfo de Amor, Teoricamente é Elsie. Ela é a protagonista mais complexa da autora: alguém que passou a vida adaptando a personalidade para ser aceita e que já não sabe muito bem do que gosta. O trabalho de namorada de aluguel é uma metáfora eficiente para isso, e Hazelwood a explora sem transformar a personagem em caricatura.
A crítica social também é mais afiada aqui. A precariedade dos professores adjuntos e a dependência do plano de saúde nos Estados Unidos aparecem como problemas concretos, não como pano de fundo. É o livro em que a autora mais consegue juntar comédia romântica e comentário sobre trabalho, algo que discutimos em Olive Smith e as heroínas cientistas de Ali Hazelwood.
O melhor diálogo de Hazelwood?
Jack é um mocinho diferente dos anteriores. Continua alto e reservado, como manda o molde, mas é mais direto, mais irônico e menos torturado do que Adam Carlsen. As conversas entre ele e Elsie, especialmente quando discutem física, têm um ritmo que lembra as melhores comédias românticas de cinema: provocação, recuo, provocação de novo.
A tensão entre física teórica e experimental, que poderia soar árida, vira um jogo de flerte inteligente. Não é preciso entender de física para acompanhar, mas quem entende vai rir de algumas piadas internas.
Pontos fortes e fracos
Funciona: a protagonista mais bem construída da autora; o humor dos diálogos; a crítica à precariedade acadêmica; a família de Jack, que rouba várias cenas; o equilíbrio entre romance e trama profissional.
Não funciona: o conflito do passado de Jack é resolvido de forma conveniente; o terceiro ato recorre, de novo, a um mal-entendido evitável; alguns coadjuvantes são apenas funcionais.
A fórmula no ponto certo
Se A Hipótese do Amor criou o molde e A Razão do Amor o repetiu, Amor, Teoricamente é o livro em que Hazelwood o domina. A estrutura é a mesma, mas a protagonista tem mais camadas, o humor é mais preciso e o contexto social pesa mais. É o romance que melhor explica por que a autora se tornou tão popular: ela escreve sobre desejo e sobre trabalho com a mesma seriedade.
Por isso ele ocupa o topo do nosso ranking dos melhores livros de Ali Hazelwood. Para quem está começando, o guia de por onde começar explica em que momento vale chegar a ele, e o guia completo da autora situa o livro na obra. As melhores ofertas estão em onde comprar livros de Ali Hazelwood.
Perguntas frequentes
Amor, Teoricamente é continuação de outro livro?
Não. É um romance independente e pode ser lido em qualquer ordem.
Amor, Teoricamente tem cenas picantes?
Sim, em nível parecido com os dois primeiros romances da autora: poucas cenas, mais para o final.
Preciso entender de física para ler?
Não. Os conceitos aparecem de forma leve e servem principalmente para a dinâmica entre os personagens.
Qual é o melhor livro de Ali Hazelwood?
A escolha é pessoal, mas Amor, Teoricamente costuma aparecer entre os favoritos da crítica e das leitoras por ter a protagonista mais complexa e os melhores diálogos.
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