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A Natureza da Mordida — Resenha Completa

O romance mais silencioso de Carla Madeira troca a tragédia explosiva por uma amizade construída aos poucos

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A Natureza da Mordida — Resenha Completa
O romance mais silencioso da autora, sobre uma amizade construída aos poucos.

Se Tudo é Rio é um livro de tragédia declarada, A Natureza da Mordida trabalha num registro mais baixo — o de duas mulheres que se aproximam devagar, revelando aos poucos as próprias feridas. É o segundo romance de Carla Madeira, publicado pela Record em 2018, e talvez o mais subestimado do catálogo da autora.

Tudo começa em um sebo, onde Biá, uma psicanalista aposentada apaixonada por literatura, aborda a jovem jornalista Olívia com uma pergunta nada trivial: o que você não tem mais e que te entristece tanto?

Do que trata o livro

A partir desse encontro, o romance acompanha a amizade entre as duas mulheres, alternando entre a narrativa linear e objetiva de Olívia e as memórias fragmentadas e pouco confiáveis de Biá — um recurso estrutural que por si só já diz muito sobre como cada uma lida com o próprio passado.

Biá e Olívia: um encontro em um sebo que muda duas vidas

Biá funciona quase como um espelho deformado para Olívia: mais velha, mais experiente, mas igualmente marcada por uma ausência que o livro só revela aos poucos. A relação entre as duas nunca é romantizada como amizade fácil — há tensão, desconfiança e, principalmente, um processo genuíno de reconhecimento mútuo.

Duas narrativas, duas memórias: linear e fragmentada

O contraste entre a voz organizada de Olívia e a memória fragmentada de Biá é o que sustenta o livro estruturalmente. Carla Madeira usa essa diferença de registro para mostrar como duas pessoas podem processar experiências parecidas — abandono, ausência, culpa — de formas completamente diferentes.

Abandono, culpa e perdão como fios condutores

Como em toda a obra da autora, não há aqui um julgamento fácil sobre quem errou e quem foi vítima. O abandono que atravessa a vida das duas personagens é tratado com a mesma ambiguidade moral que caracteriza Tudo é Rio e, mais tarde, Quando.

Vale a pena ler? Para quem é

Sim, especialmente para quem busca uma leitura mais intimista e menos centrada em um único evento trágico — é o romance mais indicado para quem quer conhecer o lado mais silencioso e reflexivo de Carla Madeira, sem abrir mão da complexidade emocional que marca toda a obra da autora.

Conclusão reflexiva

A Natureza da Mordida prova que Carla Madeira não precisa de uma tragédia espetacular para sustentar um romance inteiro — às vezes, basta uma pergunta certeira feita por uma desconhecida em um sebo. É um livro sobre como confiar em alguém pode ser, em si, um ato de coragem maior do que sobreviver ao próprio passado.

Perguntas frequentes

A Natureza da Mordida é um bom livro para começar a ler Carla Madeira? É uma opção válida para quem prefere uma narrativa mais lenta e intimista, embora Tudo é Rio costume ser a recomendação mais comum como porta de entrada.

Quem são as protagonistas de A Natureza da Mordida? Biá, uma psicanalista aposentada, e Olívia, uma jornalista — duas mulheres que constroem uma amizade a partir de um encontro casual em um sebo.

A Natureza da Mordida tem final feliz? Sem entregar spoilers, o livro evita respostas fáceis — assim como o restante da obra de Carla Madeira, ele prioriza a complexidade emocional a um desfecho redondo.

Quando A Natureza da Mordida foi publicado? Em 2018, pela Editora Record — é o segundo romance da autora.


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