Uma das blogueiras mais prestigiada dos últimos meses, sem dúvidas é Lidyanne Bergman ou Lidy para os íntimos — apenas mais de 100 mil pessoas (seguidores) dividos entre insta e youtube — vencedora da 3.ª edição do prestigiado reality show “Corrida Das Blogueiras”, comandado pelos comunicadores Fih e Edu do canal “Diva Depressão” em parceria com a Dia Estúdio; Lidyanne vem colhendo os frutos de algumas sementes plantadas anos atrás, e que não começou com e internet, mas sim com as artes.

Uma das muitas habilidades da Lidyanne Bergman, nosso destaque deste mês no Cansei De Ser Pop é a Dança.

Muito antes da internet projetar seu talento para o mundo e alcançar a tão sonhada “Coroa de Cola-Quente”, nossa rainha da blogueiragem já colocou muitos figurinos para os palcos e deu vida a muitos personagens nos teatros atráves da expressão da dança.

Celebrando o mês em que acontece o maior festival de da dança do mundo “Festival de Dança de Joinvile”, nada mais justo que conversar com ela que entende, viveu e ainda vive — mesmo que por outro ângulo — o melhor dos dois mundos!

Entrevista: Lidyanne Bergman

Como foi o início de sua carreira nas artes? 

O meu contato com a arte começou em 2007, quando tinha 15 anos, e foi através de um projeto social da minha cidade que acolhia os jovens com o intuito de envolvê-los de arte: canto, dança, teatro, canto coral e foi através desse projeto.

Como você conheceu esse projeto social?

Foi por meio de uma amiga da escola, ela fazia aula comigo há muito tempo na escola. Um dia, vi ela dançando pela sala, e ela girava, girava e fiquei encantada, parei de prestar a atenção em tudo que estava acontecendo ao redor e fiquei olhando para ela.

Eu era uma criança muito tímida, mas tive o ímpeto de chegar nela e dizer — Tamires, nunca esqueço o nome dela — Tamires, como você dança desse jeito? Onde você viu isso? Nossa, que coisa linda? Aí ela me disse: 

“Ai Lidy, eu faço parte de um projeto social, você não quer ir não? É de graça!”
Aí meu olho, bum! Saiu da caixa! Meu Deus! 
“Vai ter teste essa semana para novos candidatos entrarem!”
Daí pra frente foi uma loucura! 

Como você se encantou pela dança especificamente?

Quando entrei no projeto social, entrei única e exclusivamente por conta do balé clássico que sempre foi uma paixão para mim, mas eu não tinha acesso, pelo menos na minha cidade – acho que no Brasil como um todo, o balé clássico, assim como a dança não é acessível como deveria ser, então o balé é uma modalidade cara e nem todo mundo tem acesso.

Quando eu soube da possibilidade de fazer balé com tudo custeado por um projeto social que iria me acolher e no qual eu não precisaria pagar um valor mensal (eu e minha família não tínhamos condições), vi ali a chance de realizar meu maior sonho que era realmente fazer balé e esse foi o meu intuito. Quando entrei nesse projeto, descobri tudo o que eu podia me oferecer que era desde o custo da passagem para ir e vir como o figurino, alimentação, tudo.

Chegando lá, encontrei não só o balé, mas a dança contemporânea, o canto e isso agregou em tudo, mas entrei pelo balé e ele foi a minha dança por muito tempo, depois foram vindo outras vertentes, fluindo naturalmente, mas foi o balé que me encantou e até hoje faz o meu coração bater mais forte.

Desde de pequena, o balé te encantava, mas faltava oportunidade ou o seu mundo só expandiu depois que você chegou lá?

Então, desde muito pequenininha, eu tinha pouco acesso, a gente não tinha internet como  hoje, tinha pouco acesso à dança em geral e as poucas vezes que eu via seja em um flashinho na televisão, no comercial, algum desenho, alguma bonequinha dançando em uma caixinha de música, sempre olhei e dentro de mim — isso é meio louco de falar, mas acho que muitas pessoas podem se identificar com isso — dentro de mim, desde os meus 7 anos de idade, algo me dizia que eu sabia fazer aquilo, só que não tinha acesso e ainda tinha um agravante maior que era a questão da minha religião: fui criada na Assembléia de Deus, que era bem rigoroso e minha mãe sempre me dizia: Minha filha, não dá, a igreja não permite e foi assim até os meus 15 anos.

Como foi a sua primeira experiência no palco? Como foi essa sensação?

Tenho duas memórias muito importantes do meu primeiro contato com o palco e elas são divididas em duas partes: 

Assim que entrei nesse projeto, comecei no final do ano, quando há o espetáculo para encerrar o ano letivo, e a minha leva de candidatos não teve tanto tempo para se envolver tanto porque exigia um certo tempo de preparo, de treino e etc.

Tinha uma coreografia que dava para a gente entrar, era algo muito prático, tivemos algumas semanas para nos preparar. Era até com uma música de Villa Lobos, nunca me esqueço, não era balé, era mais contemporâneo, com a roupa mais rasgada. Eu estava achando o máximo o meu primeiro contato com o teatro, foi no teatro da UFPE, da faculdade federal e era gigante.

Aí me deparei com muitas bailarinas com aqueles “tutu bandeija”, eu as olhava passando e juro, não me recordo de outra coisa nesse dia se não pensar “eu quero estar assim, eu quero dançar”. Então eu olhava para as sapatilhas delas pensava “eu sei fazer isso”, só que até então eu não tive a oportunidade de fazer o balé.

Antes da nossa cena, tinha uma de “O Lago dos Cisnes”, eu estava na coxia esperando terminar essa cena para depois entrar e foi naquele momento que olhei e disse: Ano que vem eu vou estar pronta e vou dançar nesse palco e dançar desse jeito.

Passou um ano e lá estava eu dançando balé na ponta, foi um ano incrível e minhas professoras me diziam que eu tinha um dom, que não era algo treinado, toda a gesticulação já vinha de mim. Ninguém acreditava quando eu falava isso, mas quando ouvi da boca da minha professora, eu disse: Cara, era isso que eu queria falar para as pessoas e não conseguia.

Quando me vi naquele palco sem enxergar absolutamente nada, com as luzes lá no meu olho e eu dançando na ponta como se não houvesse amanhã, são as lembranças mais fortes que tenho, foi muito importante dali em diante, foi marcante.

É meio retórico isso, mas de todas as danças que são muitas: balé clássico, jazz, contemporâneo, danças folclóricas… têm alguma modalidade da dança que te chama mais atenção?

Claramente eu me apaixonei pelo balé clássico e foi a modalidade a que mais me dediquei, mas tem um história até engraçada — que minha ex-professora de contemporâneo, que era maravilhosa não me escute: eram duas aulas semanais e eu saía escondida e ia para aula de balé clássico porque não queria fazer contemporâneo, aí ela chegou na chincha mesmo e falou:

“Lidyanne, você já faltou a 6 aulas seguidas, o que está acontecendo?”

Aí contei para ela que Balé era minha paixão, eu queria me dedicar. Foi quando ela me explicou que o contemporâneo era tão importante quanto e que todas as modalidades de dança iriam me favorecer, me fortalecer e trazer vivências como bailarina clássica.

Foi quando o contemporâneo virou uma paixão, entendi a importância dele, e os meus últimos anos como bailarina mesmo foi no contemporâneo.

Como foi seu processo de transição dos palcos para a internet?

Acho que, como para muitas pessoas, essa transição veio para mim durante o isolamento, porque foi um momento em que me deparei em casa e com tempo, coisa que eu não tinha. Além de bailarina, eu dava aula para crianças em 7 lugares diferentes, era uma loucura conciliar minhas aulas com os espetáculos que tinha para dançar, os projetos extras, a faculdade.

Com o isolamento, tive tempo em casa e decidi pegar os materiais de maquiagem e começar a treinar para os palcos, porque até então minha maquiagem era muito, muito ruim mesmo.

Sempre fui muito boa com desenho em papel e um belo dia vi umas tintas em casa e comecei a brincar de fazer aqueles desenhos em mim e deu muito certo. Quando comecei a entender que conseguia transferir aquele desenho para meu corpo, a maquiagem foi ficando cada vez mais com técnica e comecei a fazer os vídeos na brincadeira.

Daniel, meu noivo, também estava em casa e a formação dele é em audiovisual e ele entende de edição, ele é cenógrafo e disse: posso melhorar isso para você. Comecei a me dedicar mais, procurar a forma como as outras pessoas faziam, de onde vinha a facilidade delas se comunicarem, aí foi uma construção dia após dia.

…Não é fácil você se expor em um reality onde vai estar sendo julgada tanto pelos jurados quanto principalmente pelo público que está ali assistindo.

Criar conteúdo é um desafio contínuo, mas qual foi o seu maior desafio no início?

A timidez, com certeza.Quem me vê assim hoje na internet não imagina o quanto já fui uma criança, uma adolescente tímida e até na minha fase adulta eu era muito, muito reservada, diferente das minhas irmãs e isso me incomodava profundamente porque eu gostava de me comunicar, mas ao mesmo tempo eu não tinha segurança para me comunicar.

É engraçado porque as pessoas pensam “Ah, mas você não dança? Você não é artista?”, mas a minha arte era muito mais ligada à minha linguagem corporal do que à minha linguagem verbal e isso era o que mais me encantava na dança, eu não precisava falar, a minha dança falava por mim. Eu achava isso prático, colocava no palco tudo que eu tinha sem precisar falar uma palavra, tanto que nunca fiz teatro, justamente porque eu tinha esse bloqueio de “Não, eu não vou conseguir falar em público”.

E isso foi melhorando conforme fui ligando um storie ali, fazendo uma coisa aqui, claro, fui muito motivada pelo Dan que trabalha comigo e a gente tá sempre junto.

É uma construção na verdade, todo mundo acha que a gente nasce assim, pronta, você pode até ter o dom, mas você vai moldando ele.

Esse incentivo da sua família, em especial do seu noivo, foi um pontapé inicial para você se inscrever na “Corrida Das Blogueiras”?

Principalmente, embora eu já estivesse caminhando e entendendo o que poderia fazer e como me comunicar com as pessoas, mas não é fácil você se expor em um reality onde  vai estar sendo julgada tanto pelos jurados quanto principalmente pelo público que está ali assistindo. Na primeira inscrição que fiz eu não tinha muita noção disso, eu só queria participar, tanto que quis me inscrever na segunda temporada e não entrei, mas na terceira eu sabia que era a minha hora porque eu me sentia pronta e foi verdade. Na terceira, eu já tinha toda essa preocupação do que o público iria falar, entrei na temporada com um público aqui fora e não queria decepcioná-los.

Queria mostrar para eles que a Lidyanne Bergman que eles viram nas minhas redes sociais em qualquer uma delas, era capaz e seria a mesma pessoa lá dentro, ia ter garra, força de vontade e ia dar orgulho. A minha preocupação era dar orgulho tanto para o Dan que me apoiou desde o início e minha família, quanto para meus seguidores, Acho que principalmente para meus seguidores, devo muito a eles por acreditarem em mim e no meu potencial e, se cresci, foi graças a eles, então a minha preocupação era essa.

O que mudou na sua vida após o reality?

São tantas coisas para falar, mas acho que com certeza foi a questão da visibilidade, era algo que eu precisava porque trabalhar com internet não é fácil e realmente é um trabalho de formiguinha. Hoje em dia acho que está cada vez mais difícil por várias questões como: algoritmo, tem mais pessoas trabalhando na área, enfim, vários aspectos.

E em em reality as pessoas conseguiram me ver fora do meu conforto que são as minhas redes sociais. Quem já me seguia conseguiu ver mais da Lidyane e conseguiu entender que sou exatamente o que sou ali nas redes, isso é uma dúvida constante das pessoas.

E quem não me seguia teve a oportunidade de me conhecer e ver quem eu sou, então isso para mim foi um ápice, a visibilidade foi incrível, eu devo muito ao Corrida.

Acho que os prêmios são importantes, os contratos, tudo que você recebe… tudo que eles me proporcionaram foi muito bom, mas acho que estar perto das pessoas, estar perto de quem já entende, que já faz isso há mais tempo, acho que esse é o maior prêmio.

Dos prêmios que você ganhou como vencedora da Corrida Das Blogueiras, qual você considera o mais importante para manter sua carreira daqui para frente?

Acho que os prêmios são importantes, os contratos, tudo que você recebe, a Avon é super parceira e me deu um contrato de um ano, o Kwai como embaixadora, tudo que eles me proporcionaram foi muito bom, mas acho que estar perto das pessoas, estar perto de quem já entende, que já faz isso há mais tempo, acho que esse é o maior prêmio.

O contato com a Dia Estúdio, o contato com os meninos, estar perto do pessoal que já está mais à frente, é uma troca incrível.Com eles, aprendo muito mais, evoluo como pessoa, como profissional, consigo entender e aprender coisas novas sempre, então acho que o maior ganho é esse.

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