Em ‘Aglomeração a 2’, Gabriel o Pensador aborda um amor mais romantizado.

A nova música do rapper e escritor brasileiro Gabriel o Pensador fala sobre o amor entre os casais em tempos de quarentena.

As músicas do cantor normalmente abordam o amor entre as pessoas, falam sobre política e desigualdades sociais. Uma das características mais marcantes de sua carreira tornou-se conhecida quando Fernando Collor de Mello era presidente: foi o hit “Tô Feliz (Matei o Presidente)” –  A canção chegou a ganhar uma continuação dois durante o mandato de outro presidente, Michel Temer, seguido de um dos seus maiores sucessos, “Cachimbo da paz”.

‘Aglomeração a 2’ é uma colaboração com Ivete Sangalo que, além de topar gravar o hit, gravou imagens super divertidas para o clipe. A canção chega como sucessora de “A cura tá no coração”, música que fala do amor coletivo, humanizado e voltado para o autoconhecimento.

Música e clipe contam a história de um casal que vive distante devido à pandemia da covid-19 Essa canção fala mesmo é de parceria, independe se o cara é namorado, ficante ou outra história qualquer. Ela fala de uma parceria, de uma cumplicidade, um cuidar do outro”, explica Gabriel.

Cansei Ser Pop: Como surgiu a ideia de passar uma mensagem de amor durante esse período conturbado que estamos passando?

Gabriel: Acredito que é essencial falar disso porque eu também escuto o que eu falo. Traz uma energia bem positiva essa música, tanto para quem está junto com alguém na pandemia, curtindo detalhes da casa, sentindo falta de uma viagem (só viaja ouvindo um som ou jantar fora na varanda), como aquelas brincadeiras que aparecem na letra, principalmente de um dar força para o outro nesse momento tão difícil psicológica e financeiramente, difícil para muita gente.

Clipe Aglomeração a 2 com Ivete Sangalo – Divulgação

Também vale para quem está com saudade de alguém, para aqueles que precisam segurar essa onda e querem encontrar alguém, mas não consegue agora. Lembrar da importância de se ter alguém, um carinho, mesmo com o distanciamento. Acho que essa música veio com um propósito legal, realmente de fortalecimento dessa energia boa do amor. É um tema que abordo pouco nas músicas, às vezes um pouco mais nos poemas.

Cansei De Ser Pop: Você sempre falou abertamente sobre as questões sociais no país, mesmo neste momento tão conturbado com questões da pandemia, com a corrupção, questões da desigualdade social que aumentaram. Por que você acredita que neste momento é preciso falar de amor?

Gabriel: É bom que eu consiga falar – sou pisciano tenho um lado super romântico -, mas tenho essa outra missão do combate, da crítica social, que é mais presente nos discos. É legal que eu consiga traduzir em música – o que é super raro -, mas é super necessário falar de amor, porque estamos ficando muito insensíveis, também nas relações pessoais.Uma coisa que aconteceu nos últimos anos, o relacionamento em rede, permitiu que as pessoas tivessem muitos casos, vários ficantes.

Isso também é amor, sei que também existe amor nisso, existem em várias formas, mas as pessoas acabam levando muito para um lado fútil, sem sentimento, e aí já não preenche tanto. ‘Aglomeração’ fala mesmo de parceria, independente se a pessoa é namorado, ficante, ou outra história qualquer. Ela fala sobre cumplicidade, sobre cuidar do outro, passar força para o outro. Não é um amorzinho clichê, e é bom valorizar isso também.

Cansei De Ser Pop: Você já colaborou com vários artistas da música brasileira e agora gravou com Ivete. Como foi que surgiu essa parceria?

Gabriel: Eu fiquei super feliz quando ela topou fazer. A gente se gosta, se respeita. Eu a admiro demais, sou fã da sua música, da pessoa que ela é, mas não sabia se ela aceitaria, porque as pessoas estão em casa, com sua família, em quarentena, e ainda tem a dificuldade de gravar. Eu não sabia se iria realmente rolar.

Quando ela topou, fiquei muito contente porque eu já tinha imaginado o trabalho com a voz da Ivete, nosso trabalho conjunto. E ela ainda enviou algumas imagens para o clipe super brincalhonas, que se encaixavam de corpo e alma na história. Fiquei muito honrado em poder trazer essa surpresa para os fãs, pois ninguém esperava. É um feat. um tanto inesperado.

Cansei De Ser Pop: Em sua carreira como escritor, o Luis Fernando Veríssimo chegou a te chamar de “pessoa pensante, artista falante”. Quando sai seu próximo livro e como está o processo de escrita?

Gabriel: Cara, estou empolgado com a minha nova parceria com a Editora Melhoramentos. Sempre acompanhei o trabalho deles com o Ziraldo, Arnaldo Antunes e deu para notar a qualidade do trabalho. Estou com três livros prontos para sair, além de outro já editado, a nova edição de “Um Garoto Chamado Roberto”.

Dois livros vão trazer músicas e o terceiro será para adolescentes, com textos variados, semelhante ao “Diário Noturno”.

Cansei De Ser Pop: Como você faz essa gestão de comunicação com diferentes gerações que te acompanham – a internet acabou deixando muito próximo?

Gabriel: Temos agora a ‘era’ das lives, que aproximam as pessoas em um mesmo evento grande e virtual, mas que, de uma certa forma, é real. O que sei é pelas pessoas que me contam assim “Olha, meu pai tá aqui curtindo”. Tem também aquelas que falam: “Meu filho tem 4 anos e tá aqui assistindo”. A live é vantajosa para as pessoas que não costumam ir ao show, mas curtem mesmo o que eu faço. A live serve para unir as gerações.

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