
O teatro brasileiro em 2025, soube discutir e refletir sobre a sociedade com seriedade. Obras da literatura assim como trajetórias inspiradoras de anônimos e famosos permitiram que o público se visse dentro dos palcos.
O que une espetáculos tão distintos é a seriedade com que tratam o presente. Seja ao resgatar figuras apagadas da história, revisitar traumas autoritários, discutir identidade, linguagem, fé ou envelhecimento. Reafirmando seu fôlego para dialogar com um país em constante tensão.
Os dez trabalhos reunidos aqui são exemplos de qualidade artística e também de um compromisso claro: usar o palco como espaço de escuta, confronto e imaginação crítica.
Veja aqui dez exemplos de qualidade artística.
Lady Tempestade
A reunião de talentos que deu certo. A dramaturga Silvia Gomez escreveu uma peça sobre uma advogada pernambucana pouco conhecida que, durante a ditadura militar enfrentou o poder para defender presos políticos, especialmente os que não tinham culpa.
Mércia Albuquerque foi interpretada com precisão por Andrea Beltrão que, sob a direção de Yara de Novaes, tornou o espetáculo em um dos mais importantes do ano.

Não me Entrego, Não!
Atualmente com 92 anos, o ator Othon Bastos está desde 2024 em uma constante turnê pelo Brasil com a peça em que rememora momentos importantes de sua carreira, desde atuações no teatro, como nas peças Um Grito Parado no Ar (1973) e O Jardim das Cerejeiras (1989), e também no cinema (Deus e o Diabo na Terra do Sol, de 1963).
Com texto e direção de Flavio Marinho, foi uma exaltação à arte de representar.

O Céu da Língua
Outro solo que alcançou enorme (e merecido) sucesso. Com texto e atuação de Gregório Duvivier, o texto, sob a direção de Luciana Paes, é uma divertida viagem pelo universo da língua portuguesa, começando pelo uso clássico de Luís de Camões em Os Lusíadas passando pelas gírias brasileiras até chegar no momento histriônico dos palavrões e apelidos sexuais.

Senhora dos Afogados
Nelson Rodrigues foi, felizmente, muito montado em 2024, com esse texto ganhando destaque.
A diretora Monique Gardenberg cumpriu a promessa feita a José Celso Martinez Corrêa de montar essa peça cuja tragédia familiar é apresentada ao público de forma atraente e palatável.
A encenação une o coro das tragédias gregas, projeções cinematográficas, referências à bailarina alemã Pina Bausch e uma trilha sonora diversa.

O Mercador de Veneza
William Shakespeare foi outro autor clássico que continuou interessando os montadores brasileiros. Aqui, Daniela Stirbulov dirige uma versão atualizada de uma história que se passa no fim do século XVI.
Agora, o embate entre o comerciante Antônio e o agiota judeu Shylock (inspirada interpretação de Dan Stulbach) tem citações contemporâneas, como as disputas na Bolsa de Valores.

A Médica
Nelson Baskerville dirigiu a peça em que o inglês Robert Icke atualizou o clássico Professor Bernhardi, do austríaco Arthur Schnitzler (1862-1931), transformando o protagonista em uma mulher envolvida em polêmicas de religião, identidade e gênero em meio às responsabilidades da era digital.
A tortuosa trajetória de uma médica ilustra as fragilidades individuais, especialmente quando na mira de interesses dos mais poderosos.

(Um) Ensaio sobre a Cegueira
O ponto de partida é o mesmo do romance de José Saramago, ganhador do prêmio Nobel de Literatura de 1998: a partir de um motorista que está parado em seu carro diante de um sinaleiro, uma epidemia de cegueira assola a cidade, privando seus habitantes de enxergar o mundo como antes.
Oportunidade para o Grupo Galpão, de honrada história, apresentar uma metáfora da perda de sentido e do senso de humanidade.

Olhos nos Olhos
A atriz Ana Lúcia Torre decidiu falar mais abertamente sobre sua trajetória a partir das letras das canções de Chico Buarque.
Assim, o espetáculo nasceu a partir de leituras dramáticas que a atriz fez da poesia de diversas canções do compositor.
Sob a direção de Sérgio Módena, a peça mostra como a arte pode ser a ferramenta da sobrevivência – e também como as letras de Chico são poderosas mesmo sem sua melodia.

A Chorus Line
Estreado em 1975, o musical americano trazia, como propósito fundamental, recompensar as contribuições e os sacrifícios dos dançarinos do coro, tornando-os as estrelas.
Assim, 17 candidatos lutam por oito vagas, mas, além do processo de seleção, o que conta é o problema individual de cada um deles.
Com direção e coreografia de Bárbara Guerra, o musical ganhou fôlego e readquiriu sua importância.

Dois Papas
Isolados, dois homens que detêm um grande poder revelam suas fragilidades. Na Itália, o cardeal argentino Jorge Bergoglio visita o alemão Joseph Ratzinger, então Papa Bento XVI.
Ambos têm o desejo de abandonar suas funções, mas, para o bem da Igreja católica, só um poderá fazer isso.
A história tem um final conhecido, mas o embate intelectual entre eles é o grande trunfo da peça estrelada por Zécarlos Machado e Celso Frateschi.

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