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Globo e as Novelas Verticais: Como a Emissora Entrou no Mercado de Microdramas

Jade Picon como antagonista, Gustavo Mioto estreando como ator e Malhação sendo reescrita para telas verticais: por dentro da aposta da Globo no formato que a internet criou sem el

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Globo e as Novelas Verticais: Como a Emissora Entrou no Mercado de Microdramas
A entrada da Globo no mercado de novelas verticais

A Globo não chegou às novelas verticais testando a temperatura da água. Chegou anunciando dez produções para um único ano.

O primeiro título, “Tudo Por Uma Segunda Chance”, estreou em 25 de novembro de 2025 com um elenco pensado para gerar conversa: Jade Picon como antagonista, ao lado de Debora Ozório e Daniel Rangel. Cinquenta capítulos de dois a três minutos cada, liberados em blocos semanais de dez episódios, de graça, nas redes sociais da emissora — TikTok, Instagram, Facebook, X e YouTube. Quem quisesse o catálogo completo sem esperar precisava assinar o Globoplay a partir de 12 de dezembro. A produção teve patrocínio do Santander, com integração de marca prevista dentro da própria narrativa.

Duas semanas e meia depois, a segunda aposta: “Cinderela e o Segredo do Pobre Milionário”, original Globoplay, com o cantor Gustavo Mioto estreando como ator. Inspirada em contos de fadas modernos, tem 50 episódios de até dois minutos — os sete primeiros liberados para quem tem cadastro na plataforma, o resto trancado atrás da assinatura.

O anúncio que formalizou a estratégia

As duas produções não eram um experimento isolado. No UpFront de 2026, a Globo anunciou formalmente a produção de dez microdramas originais para o ano, divididos entre a emissora e o Globoplay, com o objetivo declarado de capturar público jovem e o hábito de consumo em celular — a mesma audiência que já estava assistindo minisséries verticais no Kwai e no ReelShort, só que sem a Globo no meio.

Renata Fernandes, diretora de produtos de publicidade digital da emissora, resumiu o raciocínio: novas plataformas permitem inovações de formato e hábitos diferentes de uso do celular, e a aposta da Globo é combinar a experiência da casa em dramaturgia com experimentação de ecossistema. Na prática: usar quase 60 anos de know-how em construir folhetim para um formato que, até pouco tempo atrás, pertencia a produtoras asiáticas e a criadores nativos de internet.

Malhação, a prova de que é estratégia, não modismo

O detalhe que mais diz sobre o tamanho da aposta da Globo não é nenhuma das duas estreias de 2025 — é o anúncio de que Malhação, marca que definiu a teledramaturgia adolescente brasileira entre 1995 e 2022, vai ganhar uma versão em formato vertical. O projeto está em desenvolvimento inicial, ainda sem elenco ou data fechados, mas já tem algo que sinaliza que não é só teste de mercado: os criadores originais da série, Emanuel Jacobina e Andréa Maltarolli, estão à frente, produzindo pelos Estúdios Globo.

Reformatar Malhação para o vertical é diferente de criar um microdrama original do zero — exige traduzir uma linguagem dramatúrgica construída ao longo de décadas de televisão linear para capítulos de menos de dois minutos, sem perder o que fez a marca funcionar por 27 anos. É esse tipo de adaptação — e não só a novidade das novas produções — que aprofundamos no satélite sobre o que muda no roteiro de uma novela vertical.

O que isso sinaliza para a teledramaturgia brasileira

Emissoras tradicionais não costumam entrar em formatos nascidos fora delas até que o risco de ficar de fora supere o risco de errar a mão. A Globo levou pouco mais de um ano — o Kwai já operava no Brasil desde 2022 — para decidir que o segundo risco era maior. Isso muda o jogo para o resto do mercado: se a maior produtora de conteúdo do país está investindo dez produções em um ano, a pergunta deixa de ser “isso é moda passageira?” e passa a ser “quem mais vai entrar, e com que modelo de negócio?”.

Perguntas frequentes

Quando a Globo lançou sua primeira novela vertical?
Em 25 de novembro de 2025, com “Tudo Por Uma Segunda Chance”.

Quantas novelas verticais a Globo vai produzir em 2026?
A emissora anunciou dez produções originais para o ano, divididas entre Globo e Globoplay.

Malhação vai virar novela vertical?
Sim — um projeto de Malhação em formato vertical foi confirmado para 2026, assinado pelos criadores originais da série, ainda sem elenco ou data de estreia definidos.

As novelas verticais da Globo são gratuitas?
Parcialmente: os primeiros episódios de cada produção costumam ser liberados de graça nas redes sociais e no Globoplay para usuários cadastrados; o catálogo completo exige assinatura.

Quem produz as novelas verticais da Globo?
Os Estúdios Globo, com participação de produtoras independentes e, no caso de Malhação, os criadores originais da série.

Leia também

Para o quadro completo: volte ao guia completo sobre microdramas e novelas verticais, compare a entrada da Globo com o mercado chinês que inspirou o formato, entenda até que ponto essas produções são publicidade disfarçada de ficção e veja como o público brasileiro nomeou esse fenômeno.

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