
Por anos, a mesma pessoa que escrevia artigos científicos sobre o cérebro humano publicava, à noite, histórias de amor sobre personagens de Star Wars num site de fanfics. Uma dessas histórias virou A Hipótese do Amor, e a pesquisadora virou Ali Hazelwood, uma das autoras de romance mais vendidas do mundo.
A biografia de Hazelwood é curta em dados públicos, porque ela escolheu assim. Mas o pouco que se sabe explica quase tudo sobre os livros: o cenário acadêmico, as heroínas cientistas, o humor de quem já passou noites em claro esperando um experimento dar certo.
Uma italiana no laboratório americano
Ali Hazelwood nasceu e cresceu na Itália. Ainda jovem, mudou-se para os Estados Unidos para fazer doutorado em neurociência, área em que desenvolveu pesquisa acadêmica. A experiência de ser estrangeira num sistema universitário competitivo aparece com frequência nos livros, em personagens que se sentem deslocadas, que duvidam do próprio lugar e que precisam provar o dobro para ser levadas a sério.
A formação em neurociência não é enfeite biográfico. Ela explica o gosto da autora por protagonistas que explicam as próprias emoções em termos de hormônios e sinapses, e por que A Razão do Amor, com uma neurocientista como heroína, soa tão pessoal.
Por que um pseudônimo
“Ali Hazelwood” é um nome de caneta. A autora nunca divulgou o nome civil e, durante os primeiros anos de carreira literária, manteve as duas vidas separadas: de dia, professora e pesquisadora; nas horas livres, escritora de romances com cenas picantes.
O motivo é compreensível para quem conhece a academia. Um meio que ainda olha com desconfiança para a literatura de entretenimento, sobretudo quando escrita por mulheres e sobre desejo feminino, não costuma ser gentil com quem mistura os dois mundos. O pseudônimo protegeu a carreira científica enquanto a literária ainda era uma aposta.
Da pesquisa sobre o cérebro aos romances
Antes dos livros, havia o fandom. Hazelwood escrevia fanfics, especialmente sobre o casal Reylo (Rey e Kylo Ren). Em 2018, publicou “Head Over Feet”, a história que colocava os dois numa universidade e que, reescrita e sem os nomes de Star Wars, se tornaria A Hipótese do Amor. Contamos essa passagem em detalhe em A Hipótese do Amor nasceu como fanfic de Star Wars.
O romance foi publicado pela Berkley em setembro de 2021 e, impulsionado pelo TikTok, passou mais de 40 semanas na lista de mais vendidos do New York Times. Foi finalista do Goodreads Choice Awards na categoria romance naquele ano. Em poucos meses, a autora tinha contrato para novos livros e uma base de leitoras que acompanhava cada anúncio.
A saída da academia em 2022
Hazelwood deu aulas de neurociência até 2022, quando decidiu se dedicar apenas à escrita. A partir dali, o ritmo de publicação acelerou: romances adultos, uma coletânea de novelas, um livro juvenil, uma virada para o paranormal com Noiva e contos digitais entre um lançamento e outro.
A saída da universidade também coincidiu com uma mudança criativa. Os primeiros livros são todos acadêmicos; os posteriores exploram o esporte (No fundo é amor), o mundo corporativo (Não é amor), o xadrez (Xeque-mate) e a indústria de games (Jogo de amor para dois). A ciência continua lá, mas deixou de ser o único cenário.
O que a experiência acadêmica empresta aos livros
O traço mais característico de Hazelwood é a precisão com que retrata a vida na pós-graduação. Olive Smith, de A Hipótese do Amor, pesquisa câncer de pâncreas, a doença que matou a mãe dela, e sabe que sua carreira depende de convencer um pesquisador mais velho a aceitá-la no laboratório. Elsie, de Amor, Teoricamente, dá aulas mal pagas como professora adjunta. Essas situações não são inventadas para o enredo; são o cotidiano de milhares de pesquisadoras.
Há também temas mais duros, como o assédio de figuras de poder e a desigualdade de gênero nas bancas e nos laboratórios. Hazelwood trata disso com leveza de tom, mas sem fingir que não existe. Analisamos esse retrato em Olive Smith e as heroínas cientistas de Ali Hazelwood.
Curiosidades
- O nome de Adam Carlsen, mocinho de A Hipótese do Amor, é uma homenagem a Adam Driver, intérprete de Kylo Ren.
- As capas originais em estilo cartoon, criadas por uma ilustradora que assina lilith_saur, viraram marca registrada da autora e ajudaram a torná-la reconhecível nas redes.
- A autora fala abertamente de sua relação com o fandom e nunca escondeu a origem de A Hipótese do Amor.
- O filme de A Hipótese do Amor, com Lili Reinhart e Tom Bateman, estreou no Prime Video em 23 de setembro de 2026.
Uma cientista que decidiu contar outras hipóteses
A história de Ali Hazelwood é, de certa forma, uma inversão do que a academia costuma esperar. Em vez de largar a ficção para se dedicar à pesquisa, ela largou a pesquisa para se dedicar à ficção, e levou junto tudo o que aprendeu no laboratório. O resultado é uma obra que fala de amor com a mesma curiosidade de quem monta um experimento: testando, errando, rindo do próprio erro e tentando de novo.
Para quem chega agora, o caminho natural é seguir o nosso guia de por onde começar a ler Ali Hazelwood ou o guia completo da autora.
Perguntas frequentes
Qual é a nacionalidade de Ali Hazelwood?
Ali Hazelwood é italiana. Nasceu e cresceu na Itália e se mudou para os Estados Unidos para fazer doutorado.
Ali Hazelwood é mesmo cientista?
Sim. Ela tem doutorado em neurociência e trabalhou como professora e pesquisadora até 2022, quando passou a se dedicar à literatura.
Qual é o nome verdadeiro de Ali Hazelwood?
A autora não divulga o nome civil. Ali Hazelwood é um pseudônimo adotado para separar a carreira acadêmica da literária.
Qual foi o primeiro livro de Ali Hazelwood?
O primeiro romance publicado foi A Hipótese do Amor, lançado em 2021 nos Estados Unidos e publicado no Brasil pela Editora Arqueiro.
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