MÚSICA

Entre luzes e gritos: My Chemical Romance ressuscita emoções no Allianz Parque

Banda se apresentou em São Paulo nos dias 5 e 6 de fevereiro como parte da turnê comemorativa do álbum "The Black Parade" e com a abertura do The Hives

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Entre luzes e gritos: My Chemical Romance ressuscita emoções no Allianz Parque

Depois de se apresentar no Allianz Parque, em São Paulo, na noite de 5 de fevereiro com ingressos esgotados, o My Chemical Romance voltou ao estádio no dia seguinte para a segunda data no Brasil da turnê comemorativa pelos 20 anos do disco The Black Parade, lançado originalmente em 2006.

Quem esteve por lá viveu uma das experiências mais eletrizantes do calendário musical recente com a apresentação do The Hives como show de abertura, escolha que, na prática, funcionou como um espetáculo extra de garage rock contagiante antes mesmo da entrada dos emos lendários.

Os suecos de mais de três décadas de estrada subiram ao palco por volta das 19h30 com uma energia incansável, detonando clássicos como “Hate to Say I Told You So” e “Tick Tick Boom”, enquanto o carismático vocalista Pelle Almqvist interagia por diversas vezes com a plateia, chegando até a falar em português com o público e afirmar que ele era muito “gostoso”.

Ao longo da performance com 11 músicas, o The Hives garantiu que ali não haveria lugar para silêncio nem acomodação, mas sim para uma celebração ruidosa da música ao vivo e um casamento perfeito entre estilos diferentes de rock, desde o garage até o emo. Do primeiro ao último acorde do grupo, a energia dos integrantes contagiou o Allianz Parque.

Quando o My Chemical Romance finalmente assumiu seu posto, pouco antes das 21h, ficou evidente que aquela não seria apenas mais uma performance de rock. Foi bem mais que isso, funcionando como um ritual coletivo de celebração, nostalgia e afirmação artística. Há 18 anos sem vir ao país, quando o MCR estreou por aqui em 2008, a banda liderada por Gerard Way, em pleno vigor criativo com sua reunião mundial, trouxe ao público um espetáculo que misturou teatralidade, emoção e atemporalidade de forma quase cinematográfica.

O show foi dividido em dois atos marcantes que prenderam o público do início ao fim: o primeiro, um mergulho dramático e visualmente rico no universo de The Black Parade, álbum icônico que virou referência do rock alternativo e que impulsionou o grupo ao estrelato global. Com cenários grandiosos, figurinos impecáveis e iluminação imersiva que transformaram o estádio em um palco montado para contar uma narrativa, o grupo iniciou a apresentação com a dobradinha de “The End.” e “Dead!”. A plateia, em êxtase, cantou em coro e se emocionou com a entrega total da banda.

Depois, os fãs explodiram com“This Is How I Disappear” e“The Sharpest Lives”, baixando um pouco a temperatura, mas não a intensidade, na faixa-título“The Black Parade” e “I Don’t Love You”. Após a execução de “Cancer” e“Mama”, a banda investiu na encenação em número que contou com a participação da cantora de ópera Charlotte Kelso no papel da “Enfermeira Sylvia”. Mais tarde, “Teenagers” e “Famous Last Words” incendiaram o público novamente e abriram caminho para a conclusão do storytelling do terceiro álbum na carreira do grupo.

Após a reprise de “The End.”, o My Chemical Romance encerrou a primeira fase do show, quando Gerard, ao som de “Blood”, esfaqueou teatralmente um paciente na maca de hospital, como se ele tivesse encarnado o Coringa de Joaquin Phoenix que vimos recentemente nos cinemas.

My Chemical Romance dividiu seus shows em São Paulo em dois atos

Na segunda parte da apresentação, a banda, vestindo roupas normais em vez dos uniformes escuros da sequência inicial, mostrou sua versatilidade e poder de fogo com versões mais “cruas” de seus hits, como em“Na Na Na (Na Na Na Na Na Na Na Na Na)” e “SING”, ambas presentes no disco Danger Days: The True Lives of the Fabulous Killjoys (2010), além de “Helena”, do Three Cheers for Sweet Revenge (2004). A atmosfera foi de júbilo coletivo, com coros massivos preenchendo o estádio enquanto o público, de diferentes idades e estilos, cantava cada verso como se fosse uma oração compartilhada.

O formato do espetáculo, que trouxe 25 músicas no repertório, incluindo faixas que raramente eram tocadas ao vivo antes da atual turnê, reforçou o impacto duradouro da banda e sua capacidade única de unir fãs antigos e novos em um mesmo ritual musical.

Gerard, com sua presença quase sobrenatural no palco, várias vezes se dirigiu diretamente à multidão, agradecendo pela longa espera e, em certos momentos, saudando o público em português, algo que foi recebido com gritos e aplausos estrondosos, em uma conexão com a plateia era visceral. A cada canção do setlist, ele celebrava o reencontro entre gerações que cresceram com a banda e jovens fãs que descobriram o MCR depois do aguardado retorno.

Ao longo da carreira, o My Chemical Romance foi mais do que uma banda de rock; foi uma força cultural que moldou expectativas e emoções de quem viveu os anos 2000 e de quem descobriu o emo e o rock alternativo mais tarde. Desde o lançamento de seu álbum de estreia em 2002, I Brought You My Bullets, You Brought Me Your Love, que apareceu no setlist com “Our Lady Of Sorrows”, passando pelas explosões de popularidade até sua pausa em 2013 e a reunião anterior em 2019, o grupo sempre foi sinônimo de autenticidade e competência, atributos que ficaram ainda mais evidentes nestes shows no Brasil.

No final das contas, as apresentações se tornaram uma prova irrefutável de que o emo nunca foi apenas uma fase, sendo marcado por uma vivência profunda, em que a arte encontra comunidade e cada solo de guitarra ou verso cantado em uníssono refletem um legado que continua vibrante e inabalável.

Confira fotos, vídeos e o setlist do segundo show do My Chemical Romance em São Paulo logo abaixo!

Setlist do My Chemical Romance em São Paulo (6/2/26):

1.”The End.”

  1. “Dead!”
  2. “This Is How I Disappear”
  3. “The Sharpest Lives”
  4. “Welcome to the Black Parade”
  5. “I Don’t Love You”
  6. “House of Wolves”
  7. “Câncer”
  8. “Mama”
  9. “Sleep”
  10. “Teenagers”
  11. “Disenchanted”
  12. “Famous Last Words”
  13. “The End.”
  14. “Blood” (versão gravada)

Bis:

  1. “Our Lady of Sorrows”
  2. “Bury Me in Black”
  3. “Na Na Na (Na Na Na Na Na Na Na Na Na)”
  4. “SING”
  5. “Helena”
  6. “Planetary (GO!)”
  7. “To the End”
  8. “DESTROYA”
  9. “I’m Not Okay (I Promise)”
  10. “The Foundations of Decay”

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