
O Brasil perdeu uma de suas vozes mais iconoclastas e amadas. Angela Ro Ro morreu nesta segunda-feira, 8 de setembro de 2025, aos 75 anos. Com uma carreira que atravessou décadas, a artista marcou a música popular brasileira com seu piano afinado, sua presença de palco irreverente e letras que misturavam humor, vulnerabilidade e uma dose generosa de verdade.
Nascida Angela Maria Diniz Gonsalves, no Rio de Janeiro, ela era conhecida por hits como “Amiga”, “Tô Nem Aí” e “Simples Carinho”. Mas seu legado vai muito além das paradas de sucesso: Angela foi um símbolo de resistência, autenticidade e representatividade LGBTQIA+ em um meio artístico que muitas vezes preferia o armário à ousadia.

Quem foi Angela Ro Ro: muito mais que “Tô Nem Aí”
Angela Ro Ro era daquelas artistas que não cabiam em rótulos. Pianista de formação erudita, compositora de mão cheia e performer única, ela construiu uma persona pública que desafiava convenções – desde o visual excêntrico até a postura franca e sem filtros em entrevistas.
Sua música era um reflexo disso: letras que podiam ser engraçadas, românticas ou profundamente doloridas, sempre com um toque de ironia fina e humanidade. Canções como “Amiga” e “Escândalo” se tornaram hinos não-oficiais de gerações que se identificavam com sua mistura de exposição e coragem.

Um legado de afeto e quebra de padrões
Antes de ser discussão de rede social, Angela Ro Ro já quebrava padrões de gênero, comportamento e estética na música brasileira. Ela não escondia sua homossexualidade, mas também não a transformava em bandeira única – sua arte era maior que qualquer categoria.
Sua influência é visível em artistas contemporâneas como Pabllo Vittar, Liniker e Johnny Hooker, que herdaram não só sua ousadia, mas também sua capacidade de misturar o pessoal e o político com leveza e afeto.

Além da música: luta e afeto
Angela também era conhecida por seu ativismo discreto mas consistente – especialmente em causas relacionadas aos direitos animais e à diversidade. Nos últimos anos, mesmo com a saúde frágil, mantinha-se como uma figura querida e respeitada, lembrada por fãs e colegas como alguém que “sempre falava o que pensava, mas sempre com amor”.
A morte de Angela Ro Ro acontece em um momento de reavaliação da MPB. Artistas que antes eram considerados “laterais” ou “excêntricos” estão sendo relidos como centrais para entender a complexidade e a diversidade da cultura brasileira.
Angela não era uma diva convencional. Era uma artista que cantava sobre solidão, desejo, humor e resistência – temas que ecoam fortemente com as gerações mais jovens hoje. Sua morte nos lembra que a cultura brasileira perde uma ponte entre as MPBs de ontem e de hoje, entre a tradição e a ruptura.

E você, qual é sua lembrança mais forte da Angela Ro Ro? Uma música que marcou sua vida? Um show? Um depoimento dela que te tocou?
Compartilha aqui nos comentários – vamos celebrar juntos essa artista que nunca teve medo de ser quem era.
Descansa em paz, Angela. O piano agora é seu.
Inscreva-se na Newsletter do CSP!
Envie para
um amigo
Seja um apoiador
Ao se tornar um apoiador, você passa a receber conteúdos exclusivos e participa de sorteios e promoções especiais para apoiadores.