
Uma Segunda Chance é o livro de Colleen Hoover que mais gente não leu — e é uma pena. Lançado originalmente em 2022 como Reminders of Him, ficou à sombra do fenômeno de Verity e da febre em torno de É Assim que Acaba, e nunca recebeu a atenção que merece dentro do próprio fandom da autora. É, possivelmente, o livro mais humano do catálogo — e o mais difícil de resumir sem estragar a experiência de quem ainda não leu.
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Dentro do guia completo de Colleen Hoover, este é o título que costuma surpreender quem já leu “os grandes sucessos” e assume, erroneamente, que já conhece tudo o que a autora tem a oferecer.
A história
Kenna Rowan sai da prisão depois de cinco anos. Ela foi condenada por homicídio culposo — um acidente de carro que matou Scotty, o homem que amava e com quem tinha uma filha. Diem tem quatro anos, vive com os avós paternos e nunca conheceu a mãe de verdade. O que Kenna quer é simples de enunciar e quase impossível de conseguir: fazer parte da vida da própria filha.
O obstáculo é Ledger Ward — melhor amigo de Scotty, coproprietário do bar que era do pai de Diem, e guardião informal da memória do amigo morto. Ledger não quer Kenna perto da menina. Mas Kenna continua aparecendo, e o livro constrói, capítulo a capítulo, o que acontece quando a presença insistente de alguém começa a abalar uma certeza que parecia definitiva.
O que torna este livro diferente
Hoover está fazendo algo tecnicamente difícil em Uma Segunda Chance: precisa que o leitor torça por uma personagem que cometeu um ato que resultou na morte de outra pessoa. Não é simples. A maioria dos romances evitaria esse território, ou resolveria rápido com a revelação de que “não foi culpa dela” — uma saída fácil que tiraria o peso moral da história.
Hoover não resolve rápido. Ela deixa Kenna carregar a culpa — do jeito que a lei determinou, do jeito que os avós de Diem sentem, do jeito que o próprio Ledger sente no início da história. E é dentro dessa culpa real, sem atalho narrativo, que ela constrói uma personagem pela qual se torna praticamente impossível não torcer. É um exercício de empatia que exige do leitor mais do que a maioria dos romances do gênero costuma pedir.
Ledger Ward: o par romântico que discorda de si mesmo
O par romântico de Kenna é o tipo de personagem que Hoover sabe construir bem: alguém que age de um jeito que o leitor entende mesmo quando discorda da decisão. Ledger tem razões sólidas para não querer Kenna na vida de Diem — ele viu o que a perda de Scotty fez com a família, e não confia na capacidade de Kenna de não causar mais dano. Ele também tem razões sólidas para se apaixonar por ela, à medida que a conhece além do que o processo judicial resumiu dela.
O conflito entre essas duas realidades — proteção e desejo, lealdade ao amigo morto e atração por quem esse amigo amava — é o motor emocional do livro, e Hoover não deixa Ledger escolher um lado com facilidade.
As cartas para Scotty
Ao longo do livro, Kenna escreve cartas para Scotty — o homem que morreu, o pai de Diem. Essas seções estão entre as mais poderosas do romance. Hoover usa as cartas para revelar a voz interna de Kenna sem os filtros que ela mantém nas interações com os outros personagens, que a julgam ou temem que ela vá machucar Diem de novo. É nesses trechos que o leitor entende quem Kenna é de fato, longe do papel de “condenada tentando se redimir” que o resto do mundo do livro insiste em atribuir a ela.
Por que é injustamente subestimado
O livro não tem a premissa imediatamente sedutora de Novembro 9 (“nos encontramos uma vez por ano, sempre no mesmo dia”) nem o gancho cultural de É Assim que Acaba. É mais quieto. Mais difícil de vender em um vídeo de trinta segundos no TikTok, onde a maior parte da audiência de Hoover a descobriu. Mas, para leitores que chegam sem expectativa pré-construída pelo hype, é frequentemente o favorito — o tipo de livro que se recomenda em voz baixa, de pessoa para pessoa, em vez de em uma trend.
Essa mesma qualidade — personagens adultos processando culpa e luto ao longo de um tempo mais dilatado, sem depender de um único gancho de trailer — aproxima Uma Segunda Chance do tipo de ficção que Taylor Jenkins Reid costuma escrever. Quem gosta deste livro especificamente por essa maturidade tem boas chances de gostar também da autora de Os Sete Maridos de Evelyn Hugo, mesmo que os estilos das duas sejam diferentes em ritmo e escala.

Como este livro se compara a outros títulos silenciosos do catálogo
Uma Segunda Chance tem mais em comum com O Lado Feio do Amor do que com os títulos mais falados de Hoover: os dois lidam com luto de forma acumulada em vez de explosiva, os dois exigem que o leitor sustente empatia por personagens em posições moralmente desconfortáveis, e os dois costumam ser descobertos depois — não pelo hype inicial, mas pela recomendação de quem já leu tudo o mais óbvio do catálogo.
Vale a leitura?
Sim, sem ressalvas relevantes. Uma Segunda Chance é um dos livros mais bem construídos emocionalmente do catálogo de Hoover, e exatamente por não depender de um gancho fácil, tende a superar expectativas em vez de decepcionar. Para quem já passou pelos títulos mais populares, o guia de ordem de leitura de Colleen Hoover e o ranking dos melhores livros da autora ajudam a decidir onde encaixar este título — e a resposta, na maioria das listas informadas, costuma colocá-lo mais perto do topo do que o volume de buzz sugeriria.
Ficha do livro
| Campo | Informação |
|---|---|
| Título original | Reminders of Him |
| Autora | Colleen Hoover |
| Editora no Brasil | Galera Record |
| Ano de lançamento | 2022 |
| Gênero | New adult / Drama contemporâneo |
| Série | Standalone |
| Gatilhos | Luto, perda de filho/pai, prisão, acidente fatal |
| Adaptação | Em produção, com Maika Monroe no papel de Kenna Rowan |
Perguntas frequentes
Uma Segunda Chance faz parte de uma série?
Não. É um standalone, com início, meio e fim contidos em um único volume.
O livro tem gatilhos de conteúdo?
Sim. O livro trata de luto, morte de um ente querido, tempo de prisão e acidente automobilístico fatal. É um dos títulos emocionalmente mais pesados do catálogo, ainda que sem a violência explícita de Verity.
Por que Uma Segunda Chance é menos popular que outros livros de Colleen Hoover?
Provavelmente porque a premissa não se resume facilmente em um vídeo curto de rede social. O livro depende de nuance e desenvolvimento lento de personagem, o que o torna menos “viral” mesmo sendo, para muitos leitores, um dos melhores da autora.
Existe adaptação de Uma Segunda Chance?
Sim, uma adaptação está em produção, com Maika Monroe confirmada no papel de Kenna Rowan. Detalhes de elenco completo, diretor e data de estreia ainda não foram totalmente divulgados.
Uma Segunda Chance é um bom livro para começar a ler Colleen Hoover?
Não é a recomendação mais comum como primeiro contato, porque exige tolerância para acompanhar uma protagonista moralmente complicada desde a primeira página. Costuma funcionar melhor para quem já leu outros títulos da autora e quer algo mais maduro — o guia de por onde começar com Colleen Hoover tem sugestões mais indicadas para uma primeira leitura.
Qual outro livro de Colleen Hoover é parecido com Uma Segunda Chance?
O Lado Feio do Amor compartilha o mesmo tipo de construção emocional acumulada em vez de choque único, e costuma agradar quem gostou do ritmo mais quieto de Uma Segunda Chance.
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