
Tracy Whitney existe em dois livros de Sidney Sheldon e em uma minissérie de televisão. Em nenhuma dessas versões ela é aquilo que thrillers de protagonista feminina costumavam oferecer nos anos 1980: uma vítima passiva, uma coadjuvante, ou um símbolo de algo maior que ela. Tracy Whitney é o agente de sua própria história — do começo ao fim.
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Quem é Tracy Whitney
Executiva bancária da Filadélfia, 24 anos, noivada, grávida. Essa é Tracy no início de Se Houver Amanhã. Em poucas semanas, tudo isso é destruído por inimigos de sua mãe que usam a máquina judicial como arma. Tracy vai para a prisão por um crime que não cometeu.
O que acontece dentro da prisão — e o que Tracy aprende ali — é contado com uma economia narrativa que define o tom do restante do livro: Sheldon não romantiza a cadeia, mas também não a usa como dispositivo de vitimização. Tracy sai mais perigosa do que entrou, e isso é suficiente.
O Que a Torna Especial
Tracy usa inteligência, disfarce e antecipação onde outros personagens do gênero usariam força ou sorte. Cada golpe que ela executa é planejado com uma metodologia que o leitor acompanha em tempo real — o que cria uma cumplicidade específica: você está dentro da cabeça de alguém que está constantemente três passos à frente.
Ela também erra. Subestima antagonistas. Se apaixona em hora errada. Toma decisões que custam caro. Sheldon deu a Tracy Whitney a mesma permissão que dava a personagens masculinos: ser humana sem perder a competência.
Jeff Stevens: O Igual
A relação de Tracy com Jeff Stevens é o que distingue Se Houver Amanhã de um thriller de heist convencional. Jeff não é um interesse romântico construído para fazer Tracy precisar de alguém — é um igual. Eles competem nos mesmos mercados, usam as mesmas habilidades, e a tensão entre admiração e rivalidade que se constrói entre os dois é o motor emocional do livro.
Tracy Depois de Se Houver Amanhã: As Continuações de Tilly Bagshawe
Sheldon nunca escreveu uma sequência de Se Houver Amanhã. Anos após sua morte, em 2007, a autora britânica Tilly Bagshawe deu continuidade à personagem com autorização do espólio, em coautoria: Em Busca de um Novo Amanhã (2015) e Um Amanhã de Vingança (2016). Nessas continuações, Tracy está mais velha, tem uma filha e tenta viver longe do mundo que a definiu — até ser puxada de volta por uma ameaça que não pode ignorar. É uma Tracy reconhecível, mas filtrada pela voz de outra autora, não mais a de Sheldon.
Leia a resenha completa de Se Houver Amanhã e veja o guia completo de Sidney Sheldon. Acompanhe o Cansei De Ser Pop.
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