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Racismo estrutural na ficção de Jeferson Tenório: Um guia temático

Como a literatura de Tenório traduz um conceito sociológico em experiência narrativa

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Racismo estrutural na ficção de Jeferson Tenório: Um guia temático

“Racismo estrutural” é termo frequentemente discutido em contextos acadêmicos e sociológicos. Jeferson Tenório faz algo diferente: traduz este conceito em experiência narrativa vivida, sem nunca precisar nomeá-lo diretamente dentro do texto.

Este guia explora como isso acontece em sua obra — útil tanto para leitores que já conhecem o conceito quanto para quem está descobrindo através da ficção.

Nos dois romances mais recentes de Tenório, essa investigação toma formas concretas e distintas: em “O Avesso da Pele” (2020), é a violência policial que mata o pai do narrador, Pedro, e o racismo que a sociedade normaliza em torno desse tipo de morte; em “De Onde Eles Vêm” (2024), é o preconceito enfrentado por estudantes cotistas dentro do próprio sistema de ensino superior — espaço que deveria representar reparação.


O que é racismo estrutural, brevemente

Racismo estrutural refere-se a padrões de discriminação incorporados em instituições, práticas e normas sociais — não apenas atos individuais de preconceito, mas desigualdades sistêmicas em acesso, oportunidade e reconhecimento.


Como isso aparece em Tenório

Na ficção de Tenório, racismo estrutural raramente aparece como cena explícita de discriminação. Aparece como:

Ausência de vocabulário emocional: Personagens que não têm as palavras para nomear o que sentem, porque a sociedade ao redor nunca ofereceu espaço para essa nomeação.

Padrões familiares repetidos: Silêncios que passam de geração em geração, sugerindo trauma que nunca foi processado coletivamente.

Escolhas limitadas: Personagens que enfrentam decisões onde nenhuma opção é boa — refletindo como estruturas sociais limitam possibilidades reais disponíveis.

Corpos interpretados: A maneira como os personagens são vistos e julgados por outros, sem que precisem fazer nada além de existir em determinados espaços.


Por que esta abordagem é eficaz

Ao invés de didatismo, Tenório opta por imersão. O leitor não é informado sobre racismo estrutural — é convidado a senti-lo através da experiência dos personagens. Isso produz compreensão mais visceral do que qualquer explicação direta poderia oferecer.


Perguntas Frequentes

Preciso conhecer teoria social para entender os livros de Tenório?

Não. A ficção funciona por si mesma. Conhecimento teórico enriquece, mas não é pré-requisito.

Tenório cita teóricos em seus livros?

Não de forma explícita. Sua ficção não funciona como ensaio disfarçado — é narrativa que incorpora estas dinâmicas organicamente.

Isso torna a leitura mais difícil?

De certa forma, sim — porque exige que o leitor preencha lacunas, interprete silêncios. Mas essa dificuldade é parte do que torna a experiência de leitura rica.

Continue explorando o universo de Jeferson Tenório


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Fontes: Agência Brasil · Companhia das Letras — De Onde Eles Vêm

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