
A trajetória da cearense que trocou as redações pela ficção e se tornou uma das vozes mais lidas do país
Em 2026, Socorro Acioli assinou o livro mais vendido da Flip, o mais importante evento literário do Brasil. Não foi a primeira vez: ela também liderou as vendas do festival em 2023. No meio dessas duas conquistas, seus livros ultrapassaram a marca de 500 mil exemplares vendidos e dois deles — A Cabeça do Santo e Oração para Desaparecer — ganharam adaptações para o cinema anunciadas quase simultaneamente. Para Socorro Acioli, é a consequência de mais de duas décadas de trabalho que começou, de forma pouco óbvia, dentro de uma redação de jornal.
Nascida em Fortaleza, no Ceará, em 24 de fevereiro de 1975, Socorro Edite Oliveira Acioli Martins construiu uma carreira que atravessa o jornalismo, a docência, a tradução e, só depois, a literatura de ficção que a projetou nacionalmente. A escritora veio depois da jornalista, não o contrário.
Os primeiros anos em Fortaleza
Fortaleza não é só o lugar de nascimento de Socorro Acioli — é presença recorrente em sua obra, do Theatro José de Alencar de A Bailarina Fantasma ao sertão que atravessa Ela Tem Olhos de Céu. Foi na capital cearense que a autora se formou em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC), em 2001, marco que definiria o rumo profissional das duas décadas seguintes.
Essa escolha, e não a opção mais óbvia por um curso de Letras, ajuda a explicar um traço característico de sua ficção: a atenção a fatos concretos e a personagens que parecem extraídos da vida real. Não é coincidência que seu romance mais aclamado, A Cabeça do Santo, tenha nascido de uma notícia de jornal — a história real da cabeça decepada de uma estátua de santo em uma cidade do Ceará.
O jornalismo como formação
Formada em Jornalismo, Socorro Acioli não parou por aí. Seguiu para o Mestrado em Literatura Brasileira, também pela UFC, concluído em 2004, e depois para o Doutorado em Estudos Literários pela Universidade Federal Fluminense (UFF), finalizado em 2014 — o mesmo ano de publicação de A Cabeça do Santo. Essa trajetória acadêmica caminhou lado a lado com o trabalho nas redações: ela colaborou com O Povo e o Diário do Nordeste antes de assumir uma coluna regular na Folha de S. Paulo. Paralelamente, atua como tradutora do espanhol para o português, habilidade que a aproximaria da literatura latino-americana que tanto influenciaria sua obra.
A virada para a literatura
O ponto de inflexão aconteceu em 2006, quando foi selecionada — entre centenas de candidatos, e como única representante brasileira — para a oficina "Como Contar um Conto", ministrada por Gabriel García Márquez na escola de cinema San Antonio de los Baños, em Cuba. Foi ali que desenvolveu o conceito que se tornaria A Cabeça do Santo, romance lançado anos depois e que a consagraria como uma das vozes mais originais da ficção brasileira contemporânea. Em 2007, foi pesquisadora visitante na International Youth Library, em Munique, na Alemanha — outro capítulo de uma formação internacional pouco comum entre autores brasileiros de sua geração.
O reconhecimento nacional e internacional
Antes mesmo do sucesso de A Cabeça do Santo, Socorro Acioli já colecionava reconhecimento na literatura infantojuvenil. Em 2005, recebeu o prêmio de Melhor Obra Infantojuvenil Inédita da Secretaria de Cultura do Ceará. Entre 2006 e 2008, três de seus livros receberam o Selo Altamente Recomendável da FNLIJ. Em 2011, A Bailarina Fantasma e Inventário de Segredos foram selecionados pelo Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE).
O ápice veio em 2013, com o Prêmio Jabuti na categoria infantojuvenil por Ela Tem Olhos de Céu. Internacionalmente, a edição americana de A Cabeça do Santo — The Head of the Saint, publicada pela Hot Key Books em 2014 — foi indicada como um dos melhores livros para adolescentes pela New York Public Library em 2016 e chegou a finalista do Los Angeles Times Book Prize de Literatura Infantojuvenil.
Socorro Acioli hoje
Hoje, Socorro Acioli é professora e coordenadora da pós-graduação em escrita e criação na Unifor, mantém a coluna na Folha de S. Paulo e segue publicando em ritmo constante — já são cerca de 24 obras entre romances, literatura infantojuvenil, biografias, poesia e crônicas. Em 2026, lançou Amar É Inadiável, seu primeiro livro de crônicas, na Flip, onde se tornou a autora mais vendida do festival. É um momento raro: dois filmes em produção baseados em seus livros, um recorde de vendas recém-batido e um público que cresce a cada lançamento. Para quem começou decifrando notícias em uma redação de Fortaleza, o caminho até aqui diz menos sobre sorte do que sobre um método de observar o mundo que a ficção nunca abandonou.
Leia também
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- Da Redação à Ficção
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- onde comprar mais barato
Perguntas Frequentes
Qual é a formação de Socorro Acioli?
Graduação em Jornalismo pela UFC (2001), mestrado em Literatura Brasileira pela mesma universidade (2004) e doutorado em Estudos Literários pela UFF (2014).
Socorro Acioli sempre foi escritora de ficção?
Não. Ela construiu carreira primeiro como jornalista, em veículos como O Povo, Diário do Nordeste e, hoje, com coluna na Folha de S. Paulo, além de atuar como professora e tradutora, antes de se consolidar como romancista.
Qual foi o momento decisivo na carreira literária de Socorro Acioli?
A seleção, em 2006, para a oficina "Como Contar um Conto", de Gabriel García Márquez, em Cuba — evento que gerou o conceito de seu romance mais célebre, A Cabeça do Santo.
Socorro Acioli já ganhou prêmios importantes?
Sim. O mais notável é o Prêmio Jabuti de 2013, na categoria infantojuvenil, por Ela Tem Olhos de Céu. Ela também recebeu o Selo Altamente Recomendável da FNLIJ em três anos consecutivos e teve dois livros selecionados pelo PNBE.
Onde Socorro Acioli trabalha atualmente?
Ela é professora e coordenadora da pós-graduação em escrita e criação na Universidade de Fortaleza (Unifor) e mantém colaboração regular com a Folha de S. Paulo.
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