
Quando The Other Side of Midnight foi publicado em 1973, Sidney Sheldon já tinha um Oscar, uma carreira na Broadway e um primeiro romance razoavelmente bem recebido. Mas foi com esse segundo livro que ele criou a fórmula que definiria os próximos 30 anos de sua carreira — e que tornou seu nome sinônimo de thriller popular no mundo inteiro. O Outro Lado da Meia-Noite é melodrama de primeira qualidade.
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Os Personagens
Noelle Page cresce pobre em Marselha, filha de um pescador. Bonita, inteligente, e com uma clareza fria sobre o que o mundo oferece a mulheres na sua situação, ela decide usar o que tem para chegar onde quer. A trajetória de Noelle é a espinha dorsal do livro — uma das construções de personagem mais completas de Sheldon.
Larry Douglas é piloto americano, charmoso e irresponsável. Ele conhece Noelle na França durante a Segunda Guerra, a abandona, e passa o resto do livro pagando por isso sem saber o preço que vai pagar.
Catherine Alexander é a terceira vértice do triângulo — a mulher que Larry eventualmente se casa, sem saber quem Noelle é e o que ela planejou durante anos.
A Estrutura Narrativa
Sheldon alterna capítulos entre os três personagens, cobrindo anos de suas vidas em paralelo — às vezes na mesma época, às vezes saltando anos. A técnica cria uma tensão específica: o leitor sabe mais do que cada personagem individualmente, e essa assimetria de informação é o que torna o livro impossível de parar.
O último terço do livro é construído em torno de um julgamento — estrutura que Sheldon usaria novamente em A Ira dos Anjos e que funciona como âncora dramática: tudo converge para um único momento de acerto de contas.
Por Que Ainda Vale
O livro tem 50 anos. Algumas das premissas sobre mulheres, poder e justiça envelheceram de formas que o leitor contemporâneo vai notar. Mas a construção de Noelle Page — uma mulher que não pede desculpas por usar o mundo da mesma forma que o mundo tentaria usá-la — ainda ressoa com uma força que poucos thrillers da época conseguiram manter.
A Continuação
Lembranças da Meia-Noite (1990) é a sequência direta, 17 anos depois. Catherine Douglas, a sobrevivente do primeiro livro, retorna como protagonista. É uma continuação competente que não chega à altura do original — mas vale para quem ficou querendo saber o que aconteceu depois.
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