
A história de Jeferson Tenório é a de um escritor que construiu sua obra dividindo tempo entre ensino, pesquisa acadêmica e produção literária — não através de um caminho garantido por privilégio, mas através de insistência e permanência em circuitos literários regionais antes do reconhecimento nacional.
Nascido no Rio de Janeiro em 1977, Tenório está radicado em Porto Alegre desde o início dos anos 1990. É lá que construiu praticamente toda sua trajetória: formação em Letras pela UFRGS, mestrado em Literaturas Luso-africanas (2013, com dissertação sobre o escritor moçambicano Mia Couto) e, atualmente, doutorado em Teoria da Literatura pela PUC-RS.
Paralelamente à escrita, atua como professor de língua e literatura na rede pública de ensino de Porto Alegre — combinação que marca sua trajetória de forma distinta da de autores que vivem exclusivamente da literatura.
A estreia pela Editora Sulina
Tenório não começou publicando por grande editora. Sua estreia como romancista aconteceu em 2013, com “O Beijo na Parede”, lançado pela Editora Sulina, selo gaúcho independente. O livro já lhe rendeu o prêmio de Livro do Ano da Associação Gaúcha de Escritores (AGES) em 2014.
Em 2018, publicou seu segundo romance, “Estela sem Deus” — também pela Companhia das Letras —, que conta a história de uma adolescente negra que sonha em se tornar filósofa. O livro repetiu o reconhecimento da AGES, vencendo Livro do Ano em 2019, além de ser finalista do Prêmio Minuano no mesmo ano.
Em 2019, foi anfitrião da FestiPoa Literária, consolidando sua presença na cena literária de Porto Alegre.
Chegada ao reconhecimento nacional
Quando “O Avesso da Pele” chegou às livrarias em 2020 pela Companhia das Letras, Tenório já era autor de dois romances premiados regionalmente. O livro narra a reconstrução, feita pelo filho Pedro, da vida do pai, Henrique, morto em uma abordagem policial — tema que o autor trata incorporando também elementos da mitologia iorubá.
O impacto foi rápido: em 2021, o livro chegou ao que muitos consideram o reconhecimento máximo na literatura brasileira, o Prêmio Jabuti, na categoria Romance Literário, além de ser finalista do Prêmio Oceanos no mesmo ano. Seus direitos de tradução foram vendidos para países como Portugal, Itália, Inglaterra, França, Suécia, China, Bélgica e Estados Unidos.
Em 2020, Tenório também se tornou o primeiro patrono negro da Feira do Livro de Porto Alegre — marco simbólico em uma das mais tradicionais feiras literárias do país.
Consolidação como escritor
Com a premiação, Tenório consolidou seu lugar na literatura brasileira contemporânea. Em 2022, recebeu o título de Cidadão Porto-Alegrense, reconhecimento da cidade que adotou como sua desde a juventude.
Sua obra também ultrapassou os limites do livro impresso: parte de sua produção literária foi adaptada para o teatro, e contos seus foram traduzidos para inglês e espanhol.
Em 2024, publicou “De Onde Eles Vêm”, também pela Companhia das Letras, romance que trata de racismo estrutural e do sistema de cotas raciais no ensino superior brasileiro. O livro foi indicado como finalista do Prêmio Jabuti 2025, na categoria Romance Literário — confirmando que a premiação de 2021 não foi ponto isolado, mas parte de uma trajetória consistente.
Também em 2024, “O Avesso da Pele” passou a integrar a lista de leituras obrigatórias do vestibular da UFRGS.
Uma voz para a literatura negra brasileira
O que Tenório representa é importante não apenas para ele, mas para toda a paisagem literária brasileira. Sua existência como escritor publicado, premiado, lido e respeitado — ao lado de sua atuação como professor da rede pública — diz algo que precisa ser dito: pessoas negras podem ser escritores de literatura séria, sofisticada, exigente, sem precisar contar histórias de superação ou inspiração para merecer ser publicadas.
Conclusão: Um escritor em desenvolvimento constante
Jeferson Tenório não é um escritor que “chegou” e parou. Passou de estreante por editora regional a autor traduzido para oito idiomas, de professor da rede pública a doutorando em Teoria da Literatura, sem nunca abandonar nenhuma dessas frentes.
O que importa é que ele já deixou claro: literatura negra brasileira contemporânea tem voz própria, tem sofisticação, tem profundidade. E essa voz é indispensável.
Perguntas Frequentes
Quantos anos tem Jeferson Tenório?
Nasceu em 1977, no Rio de Janeiro.
Ele é do Rio de Janeiro?
Nasceu lá, mas está radicado em Porto Alegre desde o início dos anos 1990 — cidade onde construiu toda sua trajetória literária e acadêmica.
Qual foi seu primeiro livro publicado?
“O Beijo na Parede” (2013), pela Editora Sulina. “O Avesso da Pele” (2020) é seu livro mais conhecido, mas não o primeiro.
Ele tem outra profissão além de escritor?
Sim. É professor de língua e literatura na rede pública de ensino de Porto Alegre e doutorando em Teoria da Literatura pela PUC-RS.
Ele faz palestras ou eventos literários?
Sim. Foi anfitrião da FestiPoa Literária em 2019 e participa de eventos literários regularmente.
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Fontes: Companhia das Letras · Literafro/UFMG · Wikipédia · PublishNews
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