
A história de Carrie White começa com um período menstrual. Carianne White tem 16 anos, não sabe o que é menstruação porque a mãe nunca a explicou — uma falha deliberada de uma mulher que acredita que o sangue menstrual é a punição de Deus pelo pecado de Eva. Quando Carrie menstrua pela primeira vez no vestiário da escola e não entende o que está acontecendo, as colegas jogam tampões e absorventes nela enquanto gritam “plug it up”. É uma cena humilhante, dolorosa e completamente crível — e é o ponto de partida do romance de estreia de Stephen King.
Publicado em 1974, Carrie tem 230 páginas e foi o primeiro romance de King publicado em livro. Foi o livro que pagou o trailer. Foi o livro que mudou tudo.
A Premissa
Carrie White é a menina mais bullied da escola de Chamberlain, Maine. Filha de uma fanática religiosa, criada em isolamento, sem amigos, sem habilidades sociais desenvolvidas. E com poderes telecinéticos que emergem em momentos de estresse extremo — she can move things with her mind.
A estrutura do livro é única: King alterna entre a narrativa linear do que acontece e fragmentos de documentos futuros — artigos de jornal, transcrições de depoimentos, excertos de livros sobre o evento — que deixam claro desde o início que algo catastrófico vai acontecer. A tensão não vem da dúvida sobre o final, mas da certeza de que o baile de formatura vai terminar em tragédia e do aguardo do como.
A Dimensão Feminina
O que distingue Carrie de outros romances de horror da época é a precisão com que King escreve sobre a experiência feminina adolescente: o bullying entre meninas, a crueldade específica que opera através da exclusão e da humilhação pública, o peso de uma mãe que usa a religião como instrumento de controle. King admitiu em On Writing que considerou abandonar o projeto porque não tinha confiança para escrever sobre a experiência de uma menina adolescente. Tabitha, sua mulher, o convenceu a continuar.
A Adaptação
Brian De Palma dirigiu a adaptação em 1976, com Sissy Spacek como Carrie e Piper Laurie como a mãe. É um clássico do horror dos anos 1970 — e a cena do balde de sangue no baile de formatura é uma das mais icônicas do cinema de gênero. A remake de 2013 com Chloë Grace Moretz é competente mas dispensável.
Veja o guia completo de Stephen King e por onde começar a leitura. Continue acompanhando o Cansei De Ser Pop.
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