
Há três dias a Editora Vozes lançou no Brasil o mais novo ensaio de Byung-Chul Han: Sem Respeito. O Cansei De Ser Pop já está com o exemplar em mãos, e esta cobertura sai antes de qualquer resenha crítica brasileira ter tido tempo de circular — o tipo de furo que só existe porque alguém compra o livro no dia do lançamento em vez de esperar a editora enviar exemplar de imprensa.
O título brasileiro traduz Ohne Respekt. Eine soziale Krise. A tradução é de Milton Camargo Mota — o mesmo responsável por Falando sobre Deus (2025) e O Espírito da Esperança (2024) —, e o livro mantém o formato de ensaio curto (120 páginas) que já é marca registrada do autor: mais perto de um manifesto filosófico do que de um tratado acadêmico.
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O que Byung-Chul Han diz em “Sem Respeito”
A tese central trata o respeito não como cortesia, mas como uma forma de distância: a capacidade de reconhecer o outro sem absorvê-lo, sem reduzi-lo a uma extensão de si mesmo. Para Han, é exatamente essa distância que a hiperexposição contemporânea corrói — quando tudo vira comparável, opinável e consumível, o outro deixa de ser um mistério a respeitar e passa a ser só mais uma superfície a avaliar.
O argumento amplia algo que Han já vinha testando fora dos livros: no discurso de aceitação do Prêmio Princesa de Astúrias de Comunicação e Humanidades, em outubro de 2025, ele ligou diretamente a erosão do respeito ao desgaste da convivência democrática — a ideia de que uma democracia funcional depende de cidadãos que discordam sem se destruir mutuamente, e que essa capacidade está se perdendo junto com a distância que o respeito exige.
Onde “Sem Respeito” se encaixa na obra de Han
Quem já leu Sociedade do Cansaço reconhece o método: uma tese compacta, quase aforística, sustentada por poucas referências e muitas repetições estratégicas. Mas o eixo é outro. Ali, o problema era o sujeito que se explora sozinho; aqui, é a relação entre sujeitos que perde a distância que a sustenta — mais perto do território que Han já explorou em Agonia do Eros, sobre o desaparecimento do outro como alteridade genuína, e em livros ainda sem artigo dedicado no site, como A Expulsão do Outro.
É também, até aqui, o segundo lançamento de Han no Brasil desde outubro de 2025 — depois de Falando sobre Deus —, o que reforça um padrão: editora e autor têm mantido um ritmo de publicação anual ou semestral que faz de Han um dos poucos filósofos contemporâneos com lançamento quase previsível, como uma coleção.
Ficha do livro
- Título original: Ohne Respekt. Eine soziale Krise (Alemanha, 2026)
- Edição brasileira: Sem Respeito, Editora Vozes, Petrópolis, 2026
- Tradução: Milton Camargo Mota
- Formato: ensaio curto, 120 páginas, disponível em edição impressa e digital
Também existe uma edição especial pelo selo Vozes Nobilis (capa dura, 128 páginas) — a mesma linha que já publicou Sociedade do Cansaço e Falando sobre Deus.
Vale a pena ler já?
A cautela aqui é a de sempre: um livro lançado há três dias ainda não tem recepção crítica formada, e resenhas acadêmicas costumam levar meses para aparecer. O que dá para avaliar agora é o método — e ele repete um padrão que já rendeu à obra recente de Han a crítica de ser reciclagem editorial: teses que ele já esboçou em entrevistas e palestras, reempacotadas em outro ensaio curto. Isso não invalida o argumento, mas vale ler Sem Respeito como uma síntese do que Han vem dizendo em público desde 2025, não como uma ideia inteiramente nova.
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Perguntas frequentes
Quando “Sem Respeito” foi lançado no Brasil? Em 1º de setembro de 2026, pela Editora Vozes, com tradução de Milton Camargo Mota.
Quem traduziu “Sem Respeito”? Milton Camargo Mota, o mesmo tradutor de Falando sobre Deus e O Espírito da Esperança.
“Sem Respeito” tem uma edição especial? Sim — pelo selo Vozes Nobilis, em capa dura e 128 páginas, a mesma linha que já publicou Sociedade do Cansaço e Falando sobre Deus.
Por onde começar se eu nunca li Byung-Chul Han? O guia de entrada na obra organiza a leitura por perfil de leitor, não por ordem cronológica de publicação.
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