
Ele é grosso com alunos, destrói apresentações em seminários, tem fama de ser o professor mais temido do departamento de biologia de Stanford e mede quase dois metros de altura. Mesmo assim, ou justamente por isso, Adam Carlsen se tornou um dos personagens masculinos mais amados do romance contemporâneo e o “book boyfriend” de uma geração de leitoras do BookTok.
Com a estreia do filme A Hipótese do Amor no Prime Video, em que Tom Bateman assume o papel, vale entender de onde vem esse personagem, por que ele funciona e o que há de problemático nele.
Quem é Adam Carlsen
Adam é o professor que Olive Smith beija por engano no corredor, no começo de A Hipótese do Amor. Tem 34 anos, é um pesquisador brilhante e respeitado e se tornou uma lenda entre os pós-graduandos pela franqueza brutal com que avalia trabalhos. Ninguém quer tê-lo na banca, e todo mundo quer o prestígio de trabalhar com ele.
O que o livro revela aos poucos é outra camada. Adam é leal aos poucos amigos que tem, é extremamente atento aos detalhes da vida de Olive e trata as pessoas com uma honestidade que, fora da sala de aula, se parece muito com respeito. A grosseria é real, mas não é a personalidade inteira.
O arquétipo do “grumpy” e por que ele funciona
Adam é o exemplo perfeito do tropo “grumpy x sunshine”: o mal-humorado diante da pessoa solar. Olive fala demais, se desculpa demais, faz piada quando está nervosa; Adam fala pouco, não se desculpa e parece imune ao charme alheio. O prazer da leitura está em ver a armadura dele cair, uma cena de cada vez.
O arquétipo tem uma fantasia embutida: a do homem que é duro com o mundo e gentil apenas com uma pessoa. É uma fantasia antiga, que vem de Mr. Darcy, de Orgulho e Preconceito, e que Hazelwood atualiza com um verniz acadêmico. Adam não é rico nem aristocrata, mas tem outra forma de poder: prestígio científico.
A herança de Kylo Ren
Adam nasceu como Kylo Ren. A Hipótese do Amor começou como uma fanfic de Star Wars sobre o casal Reylo, e o nome do personagem é uma homenagem a Adam Driver, o ator que interpretou o vilão na trilogia mais recente. A altura, o cabelo escuro, o temperamento explosivo contido e a devoção obsessiva à protagonista vêm diretamente dali. A história completa está em A Hipótese do Amor nasceu como fanfic de Star Wars.
Essa origem ajuda a explicar a insistência nas descrições físicas, com Adam sempre enorme ao lado de uma Olive pequena, e também por que o personagem tem um público tão fiel: muitas das primeiras leitoras já eram fãs do casal antes mesmo do livro existir.
O que o livro problematiza (e o que não)
Parte da crítica questiona a romantização de um homem com poder institucional sobre uma estudante. O livro se defende de três formas: Adam não é orientador de Olive, a iniciativa do acordo é dela e ele respeita cada limite estabelecido. Além disso, a trama coloca em cena um contraponto claro, um personagem que usa o poder acadêmico para assediar, o que deixa evidente a diferença entre Adam e um abusador.
Ainda assim, a assimetria existe, e a grosseria de Adam com os alunos é tratada mais como charme do que como problema. É uma questão legítima, que cada leitor vai pesar de um jeito. Nas heroínas, a autora costuma ser mais cuidadosa, como mostramos em Olive Smith e as heroínas cientistas de Ali Hazelwood.
Tom Bateman no filme
No filme dirigido por Claire Scanlon, Adam ganha o rosto de Tom Bateman, ator britânico conhecido por Assassinato no Expresso do Oriente e Morte no Nilo. A escolha divide fãs: Bateman tem o porte e a presença do personagem, mas é mais leve e irônico que o Adam do livro. A química com Lili Reinhart foi um dos pontos mais elogiados pela crítica.
O roteiro também muda algumas atitudes de Adam, incluindo quem propõe o namoro de mentira e quem decide encerrá-lo. Listamos essas mudanças em A Hipótese do Amor: livro vs. filme.
O fascínio pelo homem que só é doce com uma pessoa
Adam Carlsen não é um personagem novo. É uma versão contemporânea de um tipo que o romance produz há séculos. O que Hazelwood faz de interessante é colocar esse homem num lugar onde a dureza tem justificativa profissional, a ciência de alto nível, e onde a protagonista tem ambições próprias que ele respeita. O fascínio que ele provoca diz menos sobre ele e mais sobre o desejo de ser vista com atenção total por alguém que não dá atenção a quase ninguém.
Para conhecer os outros mocinhos da autora, e decidir se eles seguem o mesmo molde, comece pelo guia de por onde começar a ler Ali Hazelwood ou pelo guia completo da autora.
Perguntas frequentes
Quem interpreta Adam Carlsen no filme?
Tom Bateman interpreta Adam Carlsen no filme A Hipótese do Amor, lançado no Prime Video em setembro de 2026.
Adam Carlsen é inspirado em Kylo Ren?
Sim. O livro nasceu de uma fanfic sobre Rey e Kylo Ren, e o nome Adam é uma homenagem ao ator Adam Driver.
Quantos anos tem Adam Carlsen?
No livro, Adam tem 34 anos e é professor do departamento de biologia de Stanford.
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